IA ou não, o vídeo da multidão de Will Smith é extremamente embaraçoso

Will Smith postou um vídeo nas redes sociais que mostra multidões de fãs aplaudindo durante sua recente turnê europeia. Na legenda, ele diz: “Minha parte favorita da turnê é estar com vocês de perto. Obrigado por também me acompanharem.”

Em meio a essas multidões, alguns fãs seguram cartazes expressando seu amor por Smith – um deles inclusive relatou que a música dele os ajudou a enfrentar o câncer. Porém, o vídeo transmite uma sensação estranha: ele parece real à primeira vista, mas ao observar com atenção percebe-se rostos digitalmente alterados, colocações de dedos sem sentido e características aumentadas de maneira bizarra em diversos clipes.

O material chegou a parecer tão artificial que fãs passaram a acusar que a imagem da multidão foi criada utilizando IA. Isso é especialmente problemático para Smith, que já enfrentava danos à sua reputação após o incidente do tapa. Se ele estivesse usando IA para tornar seus shows visualmente mais impressionantes – ou mesmo inventando histórias de fãs que encontraram na sua música forças para enfrentar o câncer –, a situação seria difícil de se justificar.

No entanto, esses fãs não são falsos – pelo menos, essa é a suposição. Até o momento, não há uma forma confiável de determinar se um conteúdo foi gerado por IA, o que torna o cenário atual um verdadeiro pesadelo de desinformação.

Como apontou o blogueiro de tecnologia Andy Baio, Will Smith tem compartilhado fotos e vídeos durante sua turnê que mostram alguns dos mesmos fãs e cartazes presentes no vídeo questionado.

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Não há nada nas postagens anteriores que indique que as fotos e os vídeos sejam sintéticos, mas quando integrados nesse novo vídeo, aparentam ter sido gerados por IA. Parece que a equipe de Smith fez uma colagem, mesclando imagens reais com vídeos gerados por IA – utilizando fotos genuínas da plateia como fonte – o que torna o material ainda mais difícil de ser interpretado.

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No entanto, o público não vai se dar ao trabalho de vasculhar postagens antigas para verificar se um fã realmente se inspirou na música dele para enfrentar o tratamento contra o câncer. O que fica é a impressão de que Smith está divulgando vídeos falsos de seus fãs, o que se revela bastante embaraçoso – mesmo que a realidade seja um pouco menos grave.

A situação se complica ainda mais porque o YouTube recentemente passou a testar um recurso que utiliza “tecnologia tradicional de aprendizado de máquina para desfocar, reduzir ruídos e melhorar a clareza” de alguns vídeos Shorts. Essas edições fizeram com que o vídeo de Will Smith nessa plataforma parecesse até mais artificial do que os de outras redes.

Segundo informações divulgadas, em breve o YouTube permitirá que os criadores optem por não utilizar esse recurso, que até agora não foi bem recebido.

É possível argumentar que Will Smith não enganou seus fãs – sua equipe teria apenas utilizado a IA para transformar fotografias em imagens dinâmicas, criando um post visualmente atrativo, prática essa que pode ser comparada a outros métodos de edição de vídeo. Contudo, o público se mostra menos receptivo à tecnologia de IA generativa, especialmente quando comparada a ferramentas já estabelecidas como o autotune ou o Photoshop.

Quando um fã adquire ingresso para ver um pop star e descobre que a qualidade do som se deve ao uso excessivo de recursos de edição, a sensação é de ter sido enganado – como se uma modelo fosse fotografada para anunciar um hidratante facial e, depois, suas imperfeições fossem editadas digitalmente. Uma vez quebrada a confiança do público, é difícil reconquistá-la, mesmo se tratando do Fresh Prince de Bel-Air.