Estudo Alega Que Mais da Metade das Empresas de Tecnologia Estão Considerando “Reestruturação”, Graças à IA

Rumores sobre uma ligação entre o lançamento de novos serviços de inteligência artificial e as recentes ondas de demissões na indústria de tecnologia circulam há algum tempo. O desaquecimento do mercado de trabalho para programadores também tem sido atribuído ao fenômeno conhecido como “vibe coding”, no qual técnicos com menor qualificação criam sites e produtos com o auxílio de assistentes automatizados.

Agora, um novo relatório de uma consultoria que atua junto a empresas de tecnologia aponta que a maioria dos seus clientes está considerando grandes mudanças para integrar mais a inteligência artificial em suas operações.

O estudo, divulgado pela Source – consultoria que presta serviços às indústrias de mídia, tecnologia e telecomunicações – revela que cerca de 55% dos seus clientes planejam investir em reestruturação organizacional nos próximos 18 meses. Segundo o relatório, essas mudanças devem ser impulsionadas pelo impacto inevitável da IA:

“É impossível ignorar o impacto da IA. Poucas organizações – se houver alguma – não possuem um plano para a sua implementação, geralmente contando com o apoio de consultorias externas. Os clientes do setor de tecnologia, mídia e telecomunicações não são exceção, com dois dos três principais desafios discutidos em organizações de alta tecnologia relacionados à tecnologia.”

De forma surpreendente, o estudo ressalta que um dos maiores interesses vem das empresas de mídia, que parecem dispostas a integrar a produção automatizada de vídeos em seus processos. Essa tendência, destacada para 2024, promete transformar drasticamente a produção de conteúdo audiovisual:

“Em 2024, os avanços mais notórios estiveram ligados à geração de vídeos, o que chamou especialmente a atenção dos clientes da mídia. Esse desenvolvimento terá um impacto profundo na produção de vídeos e, por consequência, nas empresas desse setor. Assim como o efeito da IA na indústria de mídia é evidente, o setor de alta tecnologia também deverá experimentar mudanças revolucionárias.”

Se esses dados se confirmarem, o estudo sugere que uma verdadeira “disrupção” já atingiu o Vale do Silício. Por outro lado, essas conclusões parecem contrastar com outros estudos recentes, alguns dos quais indicam que a maioria dos projetos-piloto de IA em empresas terminam em fracasso, ou ainda que o uso da IA em grandes corporações (com 250 funcionários ou mais) pode estar em declínio.

Que cenário podemos extrair de todas essas perspectivas? Será que as empresas estão se reestruturando desnecessariamente em torno de uma tecnologia cuja eficácia ainda não ficou completamente comprovada? Ou estarão, futuramente, abandonando as ferramentas por não verem o retorno esperado? É possível que todas essas situações ocorram simultaneamente.

Tony Maroulis, consultor principal da Source Global Research, afirmou: “Em grande medida, as crises e incertezas enfrentadas pelas empresas já estão sendo consideradas no planejamento estratégico, e a cautela fiscal decorrente está gradualmente cedendo lugar a planos de investimento mais ambiciosos.”