Como foi a primeira experiência como Nômade Digital em Chicago – Parte 2: Vida em Chicago

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No artigo anterior, eu contei como foi a preparação para minha primeira experiência como nômade digital em Chicago. Agora, vou comentar sobre a rotina vivendo e trabalhando remotamente na cidade.

Para contextualizar esse artigo, em Agosto de 2016 eu e minha esposa – na época namorada – Amanda fizemos nosso primeiro teste de viver como nômades digitais.

Decidimos quase que em cima da hora mudar todos os planos e passar uma breve temporada nos Estados Unidos. Temos amigos que moram lá, então acabou sendo uma decisão mais simples pelo apoio e moradia que nos foram oferecidos.

Nesse artigo pretendo comentar um pouco dos desafios enfrentados nessa primeira Mini-vida e o que nos fez apaixonar pelo estilo de vida que ainda hoje vivemos.

Divisão trabalho e lazer

Vou começar com a questão que mais chamou minha atenção nessa primeira experiência: saber quando trabalhar e quando passear.

Quando tomei a decisão de ir para Chicago, eu e minha esposa estávamos trabalhando na minha startup Benvenuto. Combinei com meus sócios que faria o trabalho todo online, mas provavelmente seguindo um fuso horário um pouco diferente.

Eu já trabalhava remotamente há um tempo, mas nunca assim tão de longe e com tantas horas de diferença do restante da equipe. De qualquer jeito não achava que seria um problema.

Quando chegamos, porém, me vi numa situação de querer curtir o local ao mesmo tempo que queria trabalhar e mostrar serviço. Afinal, não estava de férias, meu desejo pelo sucesso da empresa era igual e minha vontade de demonstrar para a equipe que podia fazer isso era maior ainda.

Lembro na primeira manhã quando chegamos. Acordei com uma vontade imensa de sair pra rua e conhecer os arredores. Só que não foi bem isso que fiz, pois assim que acordei abri meu laptop e comecei a trabalhar.

A Amanda, que já tinha feito o seu trabalho, estava também doida pra sair, então resolvi parar um pouco pelo menos para ir até o supermercado e comprar algumas coisinhas.

O resultado: não consegui mais trabalhar naquele dia de empolgação com as coisas.

Com o passar do tempo e a falta de experiência, essa dualidade entre os momentos bons para trabalhar e para sair passou a me dar mais ansiedade. Se era momento de trabalhar, minha cabeça queria sair. Se estava passeando, ficava me culpando por não estar trabalhando.

Não fazia ideia de como entender os momentos e isso passou a me frustrar.

Hoje, depois de alguns anos nessa dinâmica, eu já aprendi um pouco mais como lidar com esse desafio, mas de fato foi algo que me causou dificuldades em alguns momentos.

Durante essa viagem, além do trabalho normal, eu quis fazer um teste:

“Será que eu consiguiria me sustentar trabalhando somente online de outro lugar no mundo?”

Eu estava muito dedicado à empresa, mas resolvi reabrir minhas conexões como freelancer e autônomo em busca de trabalho. Felizmente, eu consegui muitas oportunidades em pouquíssimo tempo e, surpreendentemente, paguei minha viagem inteira só com trabalhos realizados de durante a própria viagem além da Benvenuto.

Com esse teste bem sucedido, me senti confiante para tomar uma das decisões mais difíceis que tive que tomar: Abrir mão da startup que havia já dedicado quase 3 anos.

Assim, fiz desse experimento em Chicago a fundação para, alguns meses depois, virar a chave e me tornar um nômade digital.

Lounge Chicago

Custo de vida em Chicago

Quando chegamos, em 2016, o câmbio era cerca de 3,2 Reais por cada Dólar. Isto é, não tão favorável. Porém, algo que é interessante dos Estados Unidos é que o preço das coisas ainda assim é bem barato. Alimentação, tecnologia e até alguns passeios ficam bem em conta.

Nesse mês de teste, eu não precisei pagar aluguel pois estava morando na casa de uma amiga. Então só aí já economizei muito. Mas aproveitei essa economia para passear um pouco mais e comprar alguns itens de tecnologia.

Não sei em que momento você está lendo esse artigo, mas é possível que ainda assim valha a pena comprar itens de tecnologia. Mais do que a maior parte dos lugares no mundo.

Algo que algumas pessoas me diziam é que a alimentação barata só era possível se fosse em fast food ou comendo macarrão. No entanto, minha experiência foi muito diferente dessa afirmação.

Eu tenho uma dieta baseada em plantas e lá eu pude comprar nos supermercados ou alguns restaurantes muita comida boa, orgânica e vegana sem estourar os orçamentos.

O mais interessante é que as compras no supermercado ficavam ou o mesmo preço ou mais baratas do que eu pagaria aqui no Brasil em grandes cidades. Se você acompanhar os próximos episódios de mini-vidas verá que essa é uma constante. Parece que vivemos no lugar mais caro do mundo para se alimentar bem.

Qualidade de vida

Chicago foi uma das cidades mais sensacionais que já fui. Me senti muito à vontade e também percebi uma amorosidade muito grande das pessoas.

Ao contrário do que pensava, por ser uma cidade tão grande, não observei tanta correria igual em outras cidades como São Paulo, Londres ou Nova Iorque. Parecia que o ritmo era um pouco mais lento.

Claro que pode ter sido só uma impressão, mas gostei muito desse aspecto na cidade.

Para quem gosta de arquitetura, Chicago é um lugar imperdível. Inclusive entramos em vários edifícios num dia que vários deles abriram para visitação. Subir em alguns dos predios mais altos do mundo foi bem emocionante!

Outra característica que marcou muito foi a quantidade de parques para fazer exercícios. Gostava muito de sair, até muitas vezes tarde da noite, para uma corrida. Naturalmente, me senti muito seguro.

Se você for a passeio, recomendo comprar o Chicago City Pass, pois você entra mais rápido nas atrações e no final das contas paga mais barato. Sugiro o Aquário e a galeria de arte moderna pois foram experiências bem interessantes.

Há uma infinidade de coisas pra fazer e lugares pra visitar.

Situações curiosas

Durante essa viagem acho que a situação mais inusitada que aconteceu partiu de uma visita à Universidade de Chicago que fiz. Lá me deparei com vários avisos no quadro buscando pessoas para participar em estudos científicos. Muitas vezes remunerados.

Intrigado por isso, busquei na internet e me cadastrei para participar de um estudo. Me ligaram uns dias depois e me convidaram a ir na escola de medicina da Universidade para uma ressonância magnectica junto com algumas perguntas.

Não posso falar muito sobre o estudo, mas me colocaram para assistir alguns vídeos de propaganda e depois foram observando como meu cérebro reagia com as imagens de algumas dessas propagandas na ressonância magnectica.

No final me pagaram uns US$ 60 e tive a chance de bater um papo com o pesquisador.

Foi bem curioso, mas não é o tipo de coisa que recomendo pois há muitos estudos que podem ser ruins para nossa saúde.

Halloween

Uma outra situação bem legal que vivemos lá foi estar presente durante o Halloween. O pessoal lá leva muito a sério eventos e datas comemorativas.

Mesmo alguns dias antes da noite de Halloween em si, todas as casas já estavam fantasiadas e cheias de monstros. Os supermercados tinham alas inteiras dedicadas a doces, fantasias e decorações macabras.

Para nós no Brasil o Halloween nada mais é do que uma zueira que algumas festas e eventos aproveitam para dar um ‘Tchan” a mais. Lá não. O negócio é sério.

No dia no Halloween saímos nas ruas para ver o movimento e até ganhamos doces do pessoal. Morávamos num bairro bem residencial, então tinha muita gente nas ruas saindo de casa em casa falando “Trick or treats” (doces ou travessuras).

Eleições

Outro evento que acabamos “fazendo parte” foi as eleições presidenciais dos Estados Unidos. Sim, aquela que o Trump foi eleito.

Chicago é uma cidade bem pra-frente, então lá é um lugar que as ideias conservadoras do Trump não eram muito bem-vindas. Então notamos bastante o pessoal chateado nos dias seguintes.

Acompanhamos a contagem dos votos em grupo até o momento decisivo. Incrédulos, acabamos tendo aquela sensação de desespero que nós aqui no Brasil acabamos vivendo alguns anos depois.

Desafios da vida nômade

Nessa primeira experiência como nômades digitais, eu nem sabia o que significava ser “digital nomad”. Estavamos apenas querendo testar se conseguíamos viver e trabalhar em qualquer lugar no mundo.

Então sem pesquisar para entender bem e nos preparar adequadamente, acabamos enfrentando alguns desafios.

Já comentei acima num tópico isolado a questão da divisão entre trabalho e lazer. Então não vou entrar em detalhes nele.

Com relação a dinheiro, não conhecíamos as contas internacionais ou maneiras tão otimizadas de lidar com o financeiro. Então acabamos usando dinheiro físico na maior parte do tempo, o que hoje eu não considero como sendo seguro.

Dinheiro físico é bom pela praticidade, mas acabamos perdendo na maior parte das vezes no câmbio e há a possibilidade de ser tanto furtado quando simplesmente deixar cair no chão.

Felizmente, não tivemos problemas tão grandes pois pudemos usar o Transferwise para mandar dinheiro para a conta dos nossos amigos nos Estados Unidos, mas entendo que nem todo mundo teria essa possibilidade.

Também, não nos preparamos bem para “coisas que precisaríamos estar no Brasil” para resolver. Então não fizemos uma procuração na época para alguém de confiança e também não pensamos em como receber SMS de confirmação de telefone para fazer login em alguns serviços e coisas assim.

Parecem coisas bobas, mas só a questão do chip do Brasil eu passei uma tarde inteira pra resolver pois não estava conseguindo sinal do chip brasileiro no local. Nem por roaming.

No entanto, tudo isso que comentei são mais tecnicalidades. O maior desafio que enfrentei nessa primeira experiência era interno. O de quebrar as crenças limitantes de que viver uma vida assim era possível. Por influências culturais e sociais acabamos sendo julgados por ações que fogem do padrão e sair desse julgamento não é tão simples.

O que nos fez querer ser nômades digitais

Ao final de um mês em Chicago eu voltei impactado pelas possibilidades. A Amanda ficou mais um mês lá estudando Inglês.

Vamos dizer que eu não conseguia mais olhar para minha empresa ou para meus projetos da mesma maneira. Era como se estar na minha cidade – Belo Horizonte – não fosse mais “obrigatório”.

Nasci, estudei, trabalhei, fiz amizades e criei raizes na minha cidade. Por isso acho que não tinha pensado que era uma possibilidade forte sair dela simplesmente por querer. Se fosse um trabalho ou algo assim teria uma justificativa para os outros e para mim, mas simplesmente por querer era inconcebível.

Ao longo dos meses depois da minha volta eu saí da minha empresa, terminei projetos e criei junto com a Amanda a Iglu. Uma emrpesa que tinha como princípio não ser atralada a nenhum lugar. Investi novamente em minha carreira como profissional autônomo e freelancer de forma mais forte e rapidamente tive bons retornos.

Todo esse movimento se deu porque algo na vida nômade nos chamou a atenção: a liberdade. Apesar de ter todos os dilemas de trabalho e lazer, no fundo o que estávamos era aprendendo a lidar com a liberdade de tempo, a liberdade geográfia e a liberdade de tempo.

Ter liberdade significa ter poder de escolha e uma vez que temos liberdade é muito difícil abrir mão dela.

Próximas experiências

Nesse momento que estou esrevendo esse artigo eu já realizei mais 8 mini-vidas! Isto é, tem muita história legal e aprendizados para compartilhar. No entanto, quis começar pela primeira experiência e seguir até o momento presente.

Se você gostou, comenta abaixo contado um pouco suas impressões.

Ser nômade tem muitos desafios e benefícios, mas ainda hoje entendemos que vale a pena e continuamos a viver desse jeito por causa dessa liberdade.

Divirta-se!

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