Resumo

“We few, we happy few, we band of brothers.” O grito de guerra do Henry V de Shakespeare, proferido antes da Batalha de Agincourt, pode muito bem ser o lema da elite atual da inteligência artificial.

Na noite passada, a OpenAI anunciou uma parceria com a AMD, na qual utilizará 6 gigawatts das unidades de processamento gráfico Instinct da AMD para alimentar sua infraestrutura de IA. O acordo inclui um warrant que permite à OpenAI adquirir até 10% da AMD. Esse movimento vem logo após o pacto de US$ 100 bilhões firmado com a Nvidia.

A OpenAI também impulsionou uma alta nas ações da Figma, depois que seu CEO, Sam Altman, promoveu a tecnologia do fornecedor de software de design durante uma demonstração no palco.

Contudo, essa parceria entre OpenAI e AMD acrescenta uma nova camada à natureza cada vez mais circular da economia corporativa da inteligência artificial – um ambiente onde capital, participação acionária e capacidade de processamento circulam entre as mesmas poucas empresas que desenvolvem e alimentam a tecnologia.

A Nvidia está fornecendo o capital necessário para a compra dos chips, enquanto a Oracle auxilia na construção dos data centers. Paralelamente, AMD e Broadcom atuam como fornecedoras e a OpenAI impulsiona a demanda.

Essa cadeia interligada pode enfrentar sérias pressões se qualquer um dos elos começar a enfraquecer. E, à medida que a corrida armamentista em IA se intensifica, surge a questão: esse “bando de irmãos” será capaz de sustentar as enormes expectativas de um setor em franca expansão? Assim como na Batalha de Agincourt, serão lembrados não pela quantidade, mas pelo impacto que terão no cenário da inteligência artificial.

O que você precisa saber hoje

  • Parceria OpenAI-AMD: A OpenAI poderá adquirir até 10% da AMD. A empresa implantará 6 gigawatts das unidades Instinct ao longo de vários anos e em diversas gerações de hardware, o que fez com que as ações da AMD disparassem 23,71% na segunda-feira.
  • Figma se beneficia da empolgação com a OpenAI: Após Altman destacar a integração do Figma ao ChatGPT e demonstrar como aplicativos de terceiros podem se conectar com o framework de desenvolvimento da OpenAI, as ações do fornecedor de software de design subiram cerca de 7%.
  • Possível novo modelo da Tesla: As ações da Tesla subiram mais de 5% na segunda-feira, após a fabricante de veículos elétricos divulgar um vídeo de teaser, alimentando especulações de que um novo modelo pode estar a caminho.
  • S&P e Nasdaq batem novos recordes: Nos Estados Unidos, os índices foram impulsionados pelo otimismo em relação a um aumento na atividade de fusões e aquisições, em meio aos anúncios da parceria OpenAI-AMD e do acordo do Fifth Third Bancorp para adquirir o banco Comerica por US$ 10,9 bilhões. Já na Europa, o Stoxx 600 encerrou o dia praticamente inalterado.
  • Três apostas estratégicas fora dos EUA: A Bridgewater Associates identificou três mercados-chave que podem proporcionar uma camada extra de resiliência aos portfólios, mesmo com os níveis históricos de exposição acionária dos investidores.

E, por fim…

Paul Tudor Jones, durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em 21 de janeiro de 2020, afirmou que todos os ingredientes estão no lugar para um grande rally nas ações antes que o mercado alcance seu pico. O bilionário e gestor de fundos de hedge comparou o cenário atual com a preparação que antecedeu o estouro da bolha das pontocom, no final de 1999, marcado por rallies dramáticos no setor de tecnologia e um comportamento especulativo exacerbado.

“Acho que todos os ingredientes estão prontos para um verdadeiro estouro”, disse Jones durante o programa Squawk Box na CNBC.