Esses políticos, esses trabalhadores, esses empresários, esses professores, esses artistas, esses militares, esses ativistas…ninguém faz nada.

Se fosse juntar as conversas de bar desse Brasil sairíamos com um diagnóstico de que ninguém faz nada para mudar a situação ruim que estamos. E que quando fazem só faz merda.

Mas será mesmo?

A situação está realmente decadente? “Esses pessoal” realmente não faz nada? O que fazem é sempre merda?

Ou quem sabe todas essas são perguntas pequenas em comparação com às que realmente importam:

O que você está fazendo para mudar? O que está fazendo é efetivo? Quais são as consequências das suas ações?

Nesse texto vou te mostrar como eu penso sobre esse ponto e espero gerar clareza em como podemos assumir a responsabilidade pela mudança.

Mas antes de pensar sobre nossa atuação, te convido para refletir sobre nossa concepção da atual situação.

Entendendo nosso momento

“Estamos vivendo uma época muito estranha”, é o que dizem por aí. “É tanta violência, é tanta miséria, é tanto racismo, é tanto problema, é tanta ansiedade e é tanta depressão. Basta abrir o Facebook ou ligar a TV que verá o que estou falando”.

Parece que esse discurso virou o novo “Fica com Deus” porque parece que não consigo passar um dia sem o ouvir. No entanto, tenho que discordar de grande parte desse discurso e, para isso, vou trazer uma reflexão sobre o passado, presente e futuro.

O passado

Todos nós somos obrigados a estudar história, mas quando eu estava na escola era uma matéria que, por mais que eu achasse interessante, não me dava muito bem nas notas. Sempre alí na média.

Isso foi assim comigo e é assim com outros milhões de estudantes que não tem paciência para decorar datas e nomes. Afinal, ensinar história através da decoreba é igual ensinar futebol cobrando nos testes qual é altura ideal da grama de um campo. É chato e não dá pra entender porque ainda é assim sendo que jogos e outras mídias já desenvolveram inúmeras maneiras de prender a atenção para o aprendizado de forma mais interessante.

Além disso, aprendemos que história é como se fosse uma verdade, como se o que tivesse alí no livro é realmente o que aconteceu. Não nos ensinam na escola que quando uma história é contada, ela é contada por alguém e que esse alguém tem seus próprios interesses, pontos de vista e até memória.

O resultado é que chegamos à idade de nos posicionar como cidadãos sem um mínimo de praparo para decidir quem presta e quem não presta para nos representar no governo.

É assim porque se não estudamos história e não compreendemos que existem vários pontos de vista para um mesmo evento histórico, também não conseguimos compreender que a história acaba se repetindo* Assim não aproveitamos dos aprendizados dos nossos ancestrais e caímos nas mesmas furadas.

*Nota para os radicais não poéticos: Não me refiro à ideia de história cíclica defendida pelos romanos e gregos e nem contraponto à ideia de linearidade do Santo Agostinho e depois Bossuet com o positivismo. História se repetindo significa que há acontecimentos, conjunturas e momentos similares que hoje podemos observar.

Por mais que desejamos nos sentir especial por viver no “século das transformações super rápidas”, nossas culturas, nossas relações sociais ou, mais importante, nossa biologia não recebe uma atualização disruptiva a cada ano.

Já existiram milhares de indivíduos com perfis similares aos de Bolsonaro ou Lula na história. Suas ações podem ter envelopes mais modernos, mas seus conteúdos são os mesmos.

Precisamos estudar mais sobre as histórias das variadas culturas humanas pois só assim vamos conseguir ter propriedade para assumir a responsabilidade pelas nossas decisões políticas e sociais. Só assim vamos identificar quando um governo está investindo no desenvolvimento de uma nação e quando está investindo na manutenção de si mesmo.

Só asssim compreendemos que esquerda e direita não precisam ser opostos e que só possuem esses nomes porque na revolução francesa o pessoal tinha que se posicionar de um lado ou de outro na hora de entender quem era ou não era a favor da revolução. Existem muito mais lados do que só esses dois.

O presente

Ao entender nossa história, temos a oportunidade de avaliar melhor nossa situação. Entender se estamos num momento catastrófico ou indo em direção a um mundo com mais igualdade, harmonia e paz.

Quando olhamos para trás conseguimos fazer algo que é impossível só observando o presente: Comparar!

Comparar significa ententer como determinada situação era antigamente e como é hoje. Hoje temos uma sociedade que, por mais racista que seja, tem leis que proíbem o racismo. Mas e antigamente que isso nem era uma questão a ser levantada?

Assim como nesse aspecto, temos várias lutas de minorias (e às vezes maiorias) que demandam igualdade.

Nesses casos hoje a situação está ruim? Sim! Sem dúvidas, se há necessidade de lutar por algo como igualdade é porque está longe do ideal. Mas olhando para trás é possível ver progresso?

Esperançosamente, sim.

Para quem está sofrendo e tem necessidades, a história pode não importar pois não traz nenhuma melhora imediata para algo que já está ruim. Entendo isso, mas é olhando para o momento atual e para a velocidade que as coisas vem mudando que conseguimos ter esperança de quando não teremos que nos preocupar mais com essas lutas.

E quando comparamos a situação atual com a de antigamente, vemos que o mundo sim está indo em uma direção para mais igualdade, harmonia e paz (mais uma referência) (e mais uma).

Outra característica importante da história que comentei e que podemos aproveitar para pensar em nosso momento atual é a da repetição de momentos, conjunturas e situações.

“A história se repete!” Talvez você já ouviu alguém falando assim.

A economia, a moda e a história tem um balanço similar. Um vai e vem. Um sai da moda e entra na moda. Uma repetição de padrões. Um crescimento e um declínio.

Podemos identificar altos e baixos em nosso momento atual e, com isso, melhor planejar nossos investimentos, nossos guarda-roupas e nossos votos.

O futuro

Prevêr o futuro não é possível, mas conseguimos observar tendências e acelerar o futuro daquilo que consideramos como melhor através das nossas ações.

Observar tendências significa, novamente, ver como algo estava no passado, ver como está hoje e relacionar essa comparação com novas tecnologias e movimentos sociais para tentar vislumbrar o futuro.

Por exemplo, comparando a quantidade de postos de trabalho que empresas grandes geravam antigamente com a quantidade que geram hoje, vejo que as empresas grandes atuais usam de automação e robôs muito mais e contratam menos pessoas. Isto é, precisam de menos humanos para gerar mais produtos, serviços e riqueza.

Alinhando essa comparação com o aumento populacional e com o avanço nos investimentos em robótica, inteligência artificial e automação, vislumbro um futuro no qual a falta de postos de trabalho será enorme.

Essa análise me coloca em uma posição de poder tomar uma ação. Posso defender a Renda Básica Universal, posso votar em políticos que estão preocupados com isso ou até mesmo posso tentar criar mais postos de trabalho.

Fazer análises assim, nos possibilita a realmente questionar se o que nossos políticos estão discutindo e votando faz sentido. Faz sentido planejar uma mudança na previdência que vai ser efetivada daqui a 30 anos? Faz sentido aprovar mais agrotóxicos? Faz sentido facilitar o porte de armas?

Todas essas perguntas não fazem sentido se apenas refletimos sobre nossos próprios interesses imediatos. Sem um pensamento no que as ações de hoje vão gerar considerando uma conjuntura maior, estamos criando um plano ruim. Simples assim.

Por isso vejo como correto:

Entendendo a história, tomamos decisão no presente considerando nossa análise do futuro.

Parece fácil ne? Mas por que grande parte das pessoas não toma decisões assim?

Falo por mim também. Tem hora analiso umas decisões antigas minhas e não consigo entender por qual razão as tomei. Aí entramos num pré-requisito que precisamos passar também antes de saber como podemos mudar esse mundo.

Os sentimentos que nos fazem tomar decisões ruins

O inimigo comum de todas as disciplinas religiosas é o egoísmo da mente, pois é a causa da ignorância, da cólera e do descontrole, que originam todos os problemas do mundo.

Dalai Lama

Ego, raiva, inveja, orgulho, paixão entre outros compõe o que estou chamando de “Sentimentos que nos fazem tomar decisões ruins”.

Não me entenda mal, devemos nos deixar sentir nossos sentimentos e não nos julgar. O problema no fundo é que reprimimos nossos sentimentos durante uma vida toda e aí nunca aprendemos como lidar com eles.

O resultado é que quando precisamos tomar decisões importantes acabamos sendo levados pelos nossos sentimentos sem um mínimo de questionamento razoável.

Nas eleições de 2018 eu tive um momento assim. Ao meu redor pessoas falando argumentos fervorosos contra o Bolsonaro, a mídia sem saber o que fazer e eu começando a deixar meu sangue ferver, isto é, comprando a luta.

Certo dia no Facebook uma pessoa conhecida postou uma mensagem a favor do Bolsonaro e eu me senti quase que pessoalmente ofendido por aquilo. Por isso, tentei argumentar contra. Deixei meu orgulho e minha raiva tomarem conta e passei a julgar a pessoa por causa de uma única decisão dela. Agi de forma intolerante e impulsiva.

Isto é, tomei uma decisão ruim.

Se eu tivesse um pouco mais de distanciamento e soubesse melhor como lidar com meus sentimentos eu talvez conseguiria ter sido mais empático, amoroso e compreensivo. No fundo, quem sabe, até conseguimo mostrar melhor meu ponto e convencido alguém de estar do meu lado.

Para que possamos ser mais ativos e efetivos na busca por melhora no mundo, precisamos saber lidar melhor com nossos sentimentos para saber identificar quando estamos tomando uma decisão baseada no que é realmente melhor ou nos nossos sentimentos impulsivos.

Assumindo a responsabilidade

Toda essa grande reflexão tem como objetivo a preparação para o mais difícil: Assumir a responsabilidade.

Assumir a responsabilidade não significa virar uma liderança da oposição, virar político ou mesmo fazer textão no Facebook.

Assumir a responsabilidade significa parar de falar do que os outros estão fazendo e começar a prestar atenção no que nós estamos fazendo. É pensar qual é a melhor decisão com base na nossa análise do passado, presente e futuro. É entender se estamos agindo por causa do ego ou se é a melhor decisão de fato. É compreender se nossa ação é realmente efetiva para nossos objetivos.

Eu prefiro pensar que se você está me acompanhando é porque tem uma vontade de melhorar o mundo, então não vou nem questionar se você realmente quer mais igualdade, prosperidade e felicidade para todos.

Digo isso pois, para mim, quando assumimos a responsabilidade não estamos numa ação individualista de querer só o que é melhor pra mim no exato momento, mas sim o que é melhor para o maior número de pessoas no longo prazo.

Então, considerando tudo isso, no meu ver temos cinco maneiras de agir para transformar o mundo.

Voto

Vivemos em uma democracia e, graças a isso, ainda temos a possibilidade de decidir que vai nos representar no governo. Por isso, nosso voto é sim uma forma que temos de transformar o mundo.

Quando paramos de votar por impulso, favor, obrigação ou desinteresse, passamos a fazer as análises de passado, presente e futuro. E o resultado é que paramos de eleger enganadores, charlatões ou indivíduos que só pensam no seu próprio umbigo.

Não me interessa se é de esquerda, centro ou direita. Existem políticos responsáveis de toda sorte. Alguns indícios, no entanto, que devemos prestar atenção:

  • O/A político(a) tem processos ou já esteve envolvido com algum escândalo?

Se a resposta é sim, já não vale a pena. Existem muitos políticos bons e responsáveis, então para que arriscar um voto em alguém que tem o nome sujo?

  • O/A político(a) possui conhecimento para governar?

Pensa que você é o dono de uma empresa e precisa contratar um gerente para liderar seu time. Você pagaria o maior salário da sua empresa e contrataria alguém que não tem capacidade de liderar?

Provavelmente não, pois uma pessoa despreparada vai afundar a sua empresa.

Todos nós somos sócios do Brasil e quem colocamos para nos representar é quem vai liderar os ministérios e áreas da nossa nação. Isto é, se colocarmos alguém despreparado e que não tem um mínimo de estudo sobre como a política funciona, estamos votando para afundar o país.

  • O/A político(a) defende a integridade?

Esse é um ponto muito importante e entendo que algumas pessoas possam discordar. No entanto, na minha visão não faz sentido votar em alguém que mente ou não tem responsabilidade com suas palavras.

Se um político esquiva de perguntas ou debates, se ele fala uma coisa aqui e depois volta atrás com frequência ou se ele inventa dados ou situações, esse indivíduo não merece ser eleito.

Ser representante da população significa estar exposto defender as necessidades de quem o elegeu. Para isso, precisa de integridade e, mais importante, de assumir a responsabilidade pelas suas ações e falas.

  • O/A político(a) defende os interesses da população?

Nesse caso é um pouco mais amplo pois há interesses diversos e divergentes na população. No entanto, precisamos pensar o seguinte:

Quando vivemos como parte de um governo, estamos abrindo mão de certas liberdades e direitos para isso. A partir do momento que há um governo determinando as leis e o caminho a seguir, trocamos parte da nossa liberdade e dinheiro para sermos protegidos e guiados por essa instituição.

Sabendo disso, não faz sentido eleger pessoas que vão tomar ações que vão contra o que a maior parte da população precisa para sobreviver e prosperar.

Um exemplo: Pode até ser bom para uma pequena parcela da economia aprovar novos agrotóxicos. O agronegócio vai se beneficiar. Mas o custo disso são rios, lagos, mares, florestas e outros contaminados por algo que, no final das contas, vai prejudicar a sociedade toda.

Se você pensa no que as nações mais fortes do mundo fazem, vemos que a aprovação de algo assim vai contra a população e o resto do mundo está todo indo contra isso. No entanto, alguns políticos brasileiros aprovaram inúmeros venenos que hoje estão contaminando nosso meio ambiente.

As decisões de aprovar algo assim ou não é sempre uma balança. De um lado tem algo positivo e de outro negativo. Nesse caso, o lado negativo impacta todos nós de forma muito grande enquanto o benefício é extremamamente pequeno. Só poucas centenas de pessoas vão se beneficiar de fato com isso, isto é, quem é dono do agronegócio.

Devemos, portanto, prestar atenção nessas coisas e votar em quem quer representar os interesses da população e não só de meia dúzia de parentes, amigos ou parceiros de negócios.

Dinheiro

Nos Inglês há uma expressão que representa muito a ideia de posicionamento político através do dinheiro:

“Vote with your dollars.”

No nosso caso, traduzindo, ficaria algo como “Vote com seus reais.” Essa ideia de votar com o nosso dinheiro tem muito a ver com como usamos esse recurso.

Dinheiro é uma ferramenta. É um papel que só tem valor porque todos nós acreditamos no valor que ele tem. Se a gente perde a confiança, o papelzinho passsa a não valer nada.

No entanto, esse é um recurso que toda empresa, governo ou indivíduo precisa para se sustentar. Por isso, as decisões que tomamos com nosso dinheiro são fundamentais para promover ou depreciar intituições, empresas ou governos.

Nós temos o poder de quebrar uma empresa que está abusando seus funcionários, fazer uma instituição prosperar ou mesmo a falir.

Quando você compra um vegetal, você o adquire de um produtor local ou de um grande produtor que está usando os venenos que comentamos acima?

Quando você compra uma roupa está apoiando uma marca responsável ou está aproveitando da promoção de uma loja que vende roupas feitas com trabalho quase escravo?

Na hora de comprar um eletrodoméstico, você apoia o produtor nacional ou prefere algo importado que vai mandar riqueza para fora do país?

Todas essas e muitas outras são decisões que tomamos diariamente e que tem um impacto gigantesco na prosperidade do país.

Estava na Itália há uns meses e me lembro do guia comentando que os italianos dão preferência para produtos locais. Inclusive nos supermercados alguns vem com o selo “0km” que significa que o produto viajou muitos poucos kilômetros até chegar na prateleira.

Ele contou até um caso que uma safra de laranjas da Espanha – que é logo do lado da Itália – que perdeu pois os italianos preferiram comprar as laranjas italianas, mesmo que mais caras.

Essa é uma atitude que valoriza o produtor local e distribui melhor as riquezas. Nosso país não falta riqueza. No fundo nem deveria importar muito se o PIB está crescendo um pouquinho ou diminuindo. Se ele crescer só uma pequena parte da população será de fato impactada.

No fundo, o que importa é a distribuição da riqueza e podemos contribuir para isso na forma que usamos nossos reais. Escolher manter as riquezas nos produtores locais e responsáveis é uma excelente maneira de você ajudar o país a melhorar.

Tempo

Assim como o dinheiro, nosso tempo é um recurso. Na verdade é o único recurso que temos no fundo. Trocamos nosso tempo trabalhado por dinheiro, trocamos nosso tempo de lazer por relaxamento e trocamos nosso tempo de exercício e sono por saúde.

Temos a certeza que vamos morrer um dia, então a cada momento que usamos nosso tempo estamos também mais próximos do final dele. Por isso, é um recurso finito e irreversível.

Dito isso, como usamos esse recurso impacta diretamente na nossa contribuição para o mundo. Se você gasta seu tempo no Instagram, Facebook ou outras redes sociais, está usando o seu tempo para algo que talvez não vá te trazer sentimentos positivos, motivação ou ânimo.

Se você usa seu tempo para ajudar instituições ou outros indivíduos, talvez esteja contribuindo um pouco mais para a sociedade.

No fundo, esses são exemplos bem rasos, mas que servem como base para o argumento. Podemos usar o nosso tempo para enaltecer nossos egos ou podemos usar nosso tempo para tomar ações de mudança.

Podemos usar nosso tempo para levar uma mensagem positiva para nossos amigos e familiares ou podemos usar nosso tempo para espalhar discórdia, fofoca e notícias ruins.

Podemos usar nosso tempo para trabalhar em um serviço sem sentido ou podemos usar nosso tempo para buscar sentido em um trabalho mais importante.

Podemos usar nosso tempo vendo um vídeo enquanto come num fast food ou então usar nosso tempo para cozinhar uma comida mais saudável.

Podemos usar nosso tempo escrevendo textão no Facebook ou então podemos usar nosso tempo organizando lutas sociais ou manifestações.

Não estou dizendo que são decisões fáceis ou simples. Para alguns pode até parecer impossíveis. No entanto, temos que ter a consciência que grande parte de nós tem o poder de decisão de como vamos usar o nosso tempo.

Respeito

Eu tenho pra mim um conceito que é o seguinte: Para viver em sociedade eu abdico do meu direito de invadir ou entrar no caminho de outro indivíduo. Eu não tenho o direito de encostar nos outros, de bater nos outros, de gritar para os outros ou de atrapalhar aquilo que é público.

Se eu preciso entrar em contato com outra pessoa, que seja pela via do respeito e amor. Devo pedir autorização e concentimento.

Há sim algumas exceções, como numa situação em que vejo alguém fazendo algo fora da lei ou então querendo suicidar – por exemplo. Acho que em algumas situações assim eu vou tentar intervir e dar apoio para quem precisa. No entanto, viver em sociedade necessita de respeito acima de tudo.

Só o fato de você respeitar um outro indivíduo, não importa quem seja, já vai fazer sua contribuição para a sociedade ser enorme.

Respeitar é não importar o gênero, a idade, a riqueza, as características físicas, a nacionalidade, a religião, etc. É não nos julgar melhores ou certos e não achar que temos o direito de decidir algo pelo outro.

O conceito mais importante do liberalismo é que todos tem a liberdade de ser quem são. Isso significa que não importa nossa opinião sobre o outro, abdicamos nossa liberdade de julgar e tomar ação para bloquear o caminho do outro indivíduo de ser o que ele deseja.

Ter liberdade significa abdicar de nossa liberdade de fazer mal ao outro, pois só assim podemos nos expressar com liberdade.

Positividade

Por fim, há algo que já até toquei brevemente nesse texto mas agora precisamos falar um pouco mais a fundo.

Quando conversamos com alguém, temos sempre que tomar uma decisão: o que vou falar e como vou falar para outro?

Essa decisão é super importante e normalmente não prestamos muita atenção. Se lemos uma notícia ruim na internet, já queremos compartilhar e falar para os outros. Mas o que estamos fazendo no fundo quando tomamos essa ação?

No meu ver, estamos decidindo desanimar outro indivíduo. Há sim informações e notícias que valem a pena serem compartilhadas. Afinal, há sim situações que merecem não só nosso conhecimento mas nossa compaixão ou ação.

Porém, não precisamos saber de todas as desgraças. Eu não preciso saber de cada assassinato que há no país, eu não preciso saber de cada roubo, não preciso saber de cada desastre. Eu não preciso saber de casos de famosos.

Eu também não preciso saber de cada novidade da Google, de cada nova tendência de moda ou de cada propaganda divertida.

Há uma abundância de informações hoje e acabamos ficando saturados com tudo isso. No fundo, ainda não sabemos como lidar com esse volume de conhecimento e está tudo bem. A internet é ainda algo novo se formos pensar na história da humanidade.

No entanto, acho que podemos começar a filtrar o que chega até nós. Digo isso por algumas razões:

  1. Ter esperança e ânimo é um pré-requisito para uma contribuição positiva no mundo. Mas é muito difícil ajudar outras pessoas a se animarem e terem esperança se tudo que consumimos de informação ou notícias nos coloca para baixo.
  2. Tem tanta fonte de informação que está cada vez mais difícil entender o que é baseado em fatos e o que baseado em falsos fatos. Nem vou falar de verdade pois agora sabemos que história vem de pontos de vista e não verdades. Notícias é a mesma coisa.
  3. Há uma abundância de coisas legais que não ganham o devido espaço nas mídias porque só ficamos presos na bolha da desgraça. Se passarmos a consumir mais informações e notícias positivas podemos mudar nossa percepção do mundo.

Normalmente o quadro que as mídias pintam do mundo é muito diferente da sua realidade. Ao viajar o mundo como nômade digital tenho percebido demais isso. Fui em lugares incríveis que se dependesse da imagem da mídia eu nunca iria.

No meu ver, agora para concluír, temos que buscar compartilhar mais positividade. Sempre que tivermos um contato com outro indivíduo, pensar se queremos o deixar mais feliz e animado ou mais deprê. Esperançosamente escolher o/a deixar mais positivo é a escolha.

Conclusão

Nesse longo artigo eu tentei explicar um pouco de como penso que podemos contribuir para o mundo. Algumas são ações simples e outras nem tanto, mas o que importa é que podemos sim ter uma ação mais efetiva do que simplesmente ficar compartilhando fake news por aí.

Eu sou de esquerda, de direita, de centro, de cima, de baixo e, ao mesmo tempo, de nenhum. Pra mim essas designações somente facilitam o julgamento errôneo. Todo partido político provavelmente tem uma solução melhor para um determinado problema, mas como o ego normalmente entra no caminho é muito difícil haver concenso entre os extremos.

Eu sonho com o momento que pudermos todos ter uma educação que apresenta os fatos históricos pelos mais diversos pontos de vista deixando a dúvida como verdade e não um posicionamento definido. Um momento que, através desse aprendizado, as pessoas pudessem tirar seus representantes do poder a qualquer hora se eles votassem contra suas concepções.

Eu acho que estamos sim indo em uma direção de mais liberdade, paz e amor. Quero contribuir para isso e busco espalhar positividade aonde estou. Um sorriso, uma mensagem de esperança ou pelo menos uma visão que contrapõe o diagnósticos ruins da mídia.

Eu quero agora saber sua opinião sobre tudo isso. Então deixa abaixo seu comentário. Há outras maneiras de contribuição que vislumbra? Concorda ou discorda com algo? Manda aí.

Divirta-se!