Aquawise exibirá tecnologia de qualidade da água impulsionada por IA no TechCrunch Disrupt 2025
A qualidade da água é o aspecto mais importante para as fazendas de aquacultura monitorarem, garantindo que os animais se mantenham saudáveis. Embora existam métodos tradicionais — como sensores e kits de teste —, estes costumam ser muito caros para muitos agricultores em regiões como o Sudeste Asiático.
A Aquawise propõe oferecer aos produtores de aquacultura do Sudeste Asiático uma solução mais acessível para o monitoramento da qualidade da água, utilizando inteligência artificial e imagens de satélite já existentes, sem a necessidade de aquisição de equipamentos adicionais.
Com sede em Bangkok, a empresa utiliza imagens de satélite de fazendas de peixes e camarões, integrando-as a um modelo de IA fundamentado em princípios físicos. Esse modelo avalia parâmetros essenciais, como temperatura, níveis de clorofila e oxigênio na água.
A plataforma da Aquawise possibilita um monitoramento contínuo da qualidade da água, diferentemente dos métodos tradicionais que realizam análises diárias ou semanais. Além disso, a solução também oferece rastreamento e previsões, contribuindo para a prevenção de problemas.
Segundo Patipond Tiyapunjanit, cofundador e CEO da Aquawise, “A qualidade da água é uma das coisas mais importantes na aquacultura. Assim como nós precisamos respirar, os seres aquáticos vivem constantemente imersos na água. Se a qualidade não se mantiver em níveis ideais, podem ocorrer estresse, surtos de doenças e diversos outros problemas.”
A Aquawise apresentará sua tecnologia no concurso Startup Battlefield durante o TechCrunch Disrupt 2025, que acontecerá de 27 a 29 de outubro, em San Francisco.
Tiyapunjanit, de 19 anos, contou que a ideia da empresa surgiu de uma paixão por camarões, a qual o levou a desenvolver um projeto de pesquisa sobre larvas de camarão. Durante sua participação na Competição de Jovens Cientistas de 2023, ele conheceu seus futuros cofundadores, Chanati Jantrachotechatchawan e Kobchai Duangrattanalert, que, impressionados com o projeto, passaram a orientá-lo – orientação essa que culminou na vitória do projeto na Feira Internacional de Ciências e Engenharia Regeneron em 2024.
Após esse sucesso, o trio decidiu identificar o maior problema do setor. “Precisamos recuar e buscar o desafio mais importante desta indústria. Percebemos que se trata de um problema de qualidade da água; 80% das fazendas de aquacultura enfrentam essa dificuldade, que gera perdas de quase 30 bilhões de dólares por ano”, afirmou Tiyapunjanit.
Essa constatação foi a base para a fundação da Aquawise, em 2024.
Enquanto a qualidade da água não representa um grande desafio para as fazendas de aquacultura em regiões como Estados Unidos e Europa, em mercados emergentes – especialmente no Sudeste Asiático – esse problema é muito mais sério. Agricultores dessas regiões, que não têm condições de investir em tecnologias avançadas, dependem de relatórios meteorológicos e verificações manuais, mesmo diante de possíveis consequências negativas de uma má qualidade da água.
Inicialmente, a ideia da Aquawise era utilizar sonar para monitorar a qualidade da água, tendo até sido testada em um tanque de peixes na residência de Tiyapunjanit. No entanto, essa abordagem revelou-se financeiramente inviável para os agricultores.
“Queremos que as pessoas, especialmente na Tailândia e no Sudeste Asiático, vejam essa tecnologia como uma forma de melhorar suas condições de vida e fortalecer tanto a comunidade quanto as suas propriedades”, destacou Duangrattanalert.
A empresa já atua com diversas fazendas, utilizando os dados coletados para aprimorar continuamente seu modelo de IA, de maneira a garantir sua precisão antes que a solução seja comercializada em larga escala.
Além disso, a startup planeja captar recursos junto a investidores no próximo ano.
Tiyapunjanit destacou ainda: “A aquacultura é o setor de alimentos que mais cresce no mundo atualmente. Segundo projeções da Organização das Nações Unidas, ela é a melhor maneira de ajudar a alimentar 10 bilhões de pessoas nos próximos anos, graças à sua capacidade de produzir alimentos altamente nutritivos com baixas emissões.”
