A Anthropic está expandindo o Project Glasswing, sua iniciativa conjunta com a indústria para identificar e corrigir vulnerabilidades críticas de software utilizando inteligência artificial, para cerca de 150 novas organizações em mais de 15 países, informou a empresa nesta terça-feira.

A notícia surge um dia após a companhia anunciar que havia apresentado, de forma confidencial, um pedido de oferta pública inicial, após uma rodada de financiamento de US$ 65 bilhões que avaliou a empresa em quase US$ 1 trilhão.

O Claude Mythos, da Anthropic, é o coração do Project Glasswing. A empresa, especializada em inteligência artificial, classificou o modelo como o mais poderoso até o momento, capaz de identificar milhares de vulnerabilidades zero-day ao longo de várias semanas. No início de abril, a Anthropic concedeu a 50 parceiros iniciais, incluindo o governo dos EUA, acesso ao Claude Mythos Preview para inspecionar suas bases de código em busca de vulnerabilidades e falhas de segurança.

A lista ampliada de organizações com acesso ao Mythos, a partir de hoje, abrange setores como energia, abastecimento de água, saúde, comunicações e hardware — áreas que não estiveram “bem representadas” na coorte inicial da Anthropic. Muitas dessas organizações são empresas ou instituições sem fins lucrativos que mantêm bases de código das quais outras entidades e governos dependem.

“O que todos os parceiros têm em comum é que um ataque bem-sucedido à sua base de código poderia ser catastrófico”, afirmou a empresa. “Para a maioria dos parceiros, estimamos que um ataque de grandes proporções poderia afetar mais de 100 milhões de pessoas, com ramificações importantes para a segurança global e nacional.”

O grupo ampliado inclui organizações em países aliados aos EUA, como Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Suíça, Holanda, Espanha, Bélgica, Suécia, Índia, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul, de acordo com o Financial Times, que citou uma fonte familiarizada com o assunto.

O Financial Times também informou que diversas organizações receberam acesso ao Mythos, entre elas: a ferramenta de gerenciamento de identidade e segurança Okta, dos EUA; as empresas sul-coreanas Samsung, SK Hynix e SK Telecom; a OTAN, aliança militar liderada pelos EUA com sede em Bruxelas; e a agência de cibersegurança da União Europeia, a ENISA.

A Anthropic afirmou que espera que outras empresas de inteligência artificial desenvolvam, em breve, modelos tão capazes quanto o Mythos Preview, e é por isso que a empresa está em corrida para estabelecer salvaguardas no âmbito do Project Glasswing.

Desde o lançamento do Mythos, a concorrente OpenAI apresentou seu próprio modelo focado em cibersegurança – o GPT-5.5-Cyber –, que foi disponibilizado a um amplo grupo de parceiros para testes.