Ansiedade e a velocidade da vida

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O Brasil é o país mais ansioso do mundo.

De acordo com a OMS, o Brasil conquistou mais um título dispensável: o de país com a maior porcentagem de indivíduos ansiosos.

Eu me espanto com essa informação pois imaginava que países como os Estados Unidos ou Inglaterra fossem ainda mais ansiosos uma vez que estão mais imersos no materialismo e mídias sociais.

No entanto, parece que a união da necessidade de manter as aparências com pouco dinheiro gera ainda mais ansiedade do que somente a necessidade de manter as aparências.

Naturalmente, não é só o materialismo, as mídias sociais ou, como brinquei acima, a necessidade de manter as aparências que contribuem para a ansiedade. A desigualdade, falta de recursos e cultura de trabalho também contribuem muito para isso.

Eu sou uma pessoa que sofre com a ansiedade. Já sofri mais, mas ainda é um fator que busco entender em mim para curar dessa doença.

Sim, você leu certo. Doença. Assim como a depressão, a ansiedade é considerada uma doença.

Minha história com a ansiedade

Percebi minha ansiedade pela primeira vez como algo que prejudicava minha vida em 2013, quando depois de várias noites dormindo pouco e viciado no trabalho, me vi com dores de cabeça, dificuldade de respiração profunda e outros sintomas estranhos.

Eu estava construindo uma das minhas empresas e a ansiedade de ver tudo pronto rapidamente me fazia trabalhar o tempo inteiro. A motivação e a energia eram tão grandes que bastava meio toque do despertador para pular da cama e voltar ao trabalho.

Na época eu achava isso o máximo! Uma pessoa produtiva! Reconhecida pela sua velocidade e capacidade de colocar as coisas ‘no ar’. Um exemplo de empreendedor.

Demorei um tempo para entender que o exemplo de empreendedor não era pra mim. Porém, é difícil largar dos vícios da ansiedade. Se por um lado passei a não esperar que meu trabalho fosse sempre feito em tempo recorde, passei a achar que o sucesso viria ainda mais rápido simplesmente pelo fato de que nas redes sociais outras pessoas estavam ‘tendo sucesso’ com velocidade…ou pelo menos era o que parecia.

Outro buraco.

A ansiedade nesse caso foi ainda maior. De um lado existe a ansiedade por produzir conteúdo e ‘mostrar seu lado bem sucedido’. Do outro, há ansiedade por querer que a realidade imaginada e espelhada pelo que é mostrado nas redes sociais se torne realidade real.

Obviamente, a realidade imaginada nunca chegará, até porque ela é imaginada.

Ela é fabricada. Eu fabrico, tu fabricas, eles fabricam, nós fabricamos e todos imaginam que um dia ela se tornará real.

A cura da ansiedade

Como tudo na vida, existem vários caminhos para se chegar no mesmo resultado. E ouso dizer que a confiança no método, mais do que o próprio método, tende a ser o fator mais importante para a mudança.

A gente tende a trazer nossas experiências empíricas de sucesso em alguma área com a única saída.

“Eu emagreci porque virei vegetariano! Então é isso que você deve fazer.”

“Eu encontrei a paz interior porque me tornei budista! Então é isso que você deve fazer.”

“Eu me curei da ansiedade porque tomei chá de laranja! Então é isso que você deve fazer.”

Eu não vou te falar nada assim. Frases como essa subestimam a diversidade dos seres vivos, nesse caso do ser humano.

O que eu vou te falar, então, são as pistas e reflexões que tem me apontado na direção atual.

Aceitar nossa natureza

Natural para o ser humano – como explicado no livro Sapiens – é tudo aquilo que ele é capaz de fazer.

Comer carne ou não comer -> Natural.

Ter relações sexuais heterossexuais ou homossexuais -> Natural.

Dormir sentado ou dormir deitado -> Natural.

Só não é natural aquilo que no presente momento não conseguimos fazer com nossos corpos, mentes ou espíritos. Por exemplo, não é natural utilizarmos asas com penas para voar. Afinal, não temos asas com penas…pelo menos ainda não nos desenvolvemos para tal.

A ansiedade, portanto, é natural. Faz parte dos nossos mecanismos biológicos. É a resposta que nossa cabeça traz para alguma situação que estamos vivendo.

Seja essa situação o estresse do trabalho, a dificuldade financeira, o medo constante de algo ruim acontecer ou qualquer outra razão, somente você consegue parar e te compreender.

Nesse sentido, o caminho que tenho preferido caminhar tem dois passos:

  1. Aceitação com amor da minha natureza – A compreensão de que não é lutando contra meus sentimentos que vou chegar a algum lugar, mas sim abraçando, entendendo e aprofundando internamente para descobrir os reais motivos que estão me deixando ansioso. As raízes do problema. Somente aceitando isso é que acredito ter calma e clareza para refletir e buscar profundamente essas raízes.
  2. Cortar as raízes – Assim que descobrimos aquilo que realmente está causando a ansiedade, podemos começar a tomar as melhores decisões; esperançosamente de cortar as raízes. Redes sociais, uma pessoa que nos coloca para baixo ou quem sabe até mesmo nosso trabalho.

Nos livrar daquilo que está nos deixando ansiosos muitas vezes não é simples, mas se realmente estamos empenhados em melhorar a situação eu acho que cabe a coragem de tomar uma decisão (mesmo que ela seja uma decisão que vai melhorando aos poucos e não algo abrupto).

Diminuir a velocidade

Como seres humanos, tendemos a achar que somos algo separado da natureza e não parte dela. Porém, eu acho somos parte dela.

A natureza – logo, nós também – tem seu tempo. Se você ficar gritando com uma planta todos os dias para ela crescer e dando uns tapas pra ver se ela cresce mais, o que acha que vai acontecer?

Provavelmente ela vai te ignorar e crescer no seu ritmo ou então morrer de tanto ser pressionada com os tapas.

A tecnologia está cada vez mais rápida, mas isso não significa que temos que fazer as coisas na mesma velocidade que ela. A produtividade não é fazer 20 vezes mais coisas no dia. Essa velocidade toda, na minha visão, faz nossas expectativas ficarem também menos pacientes.

Antigamente você podia mandar uma carta para alguém e esperar dias ou semanas pela resposta. Sem ansiedade.

Hoje, tenho clientes, amigos e família que começam a endoidar se demoro mais de 2h para responder no WhatsApp. Com ansiedade.

Quando eu estava no Ensino Médio eu me lembro de brincar que parecia que algumas pessoas estavam numa competição para quem aposentava e morria primeiro.

“Tem que passar logo no vestibular, terminar o curso – quem sabe até adiantando umas matérias -, arrumar um emprego logo….”

Eu brincava, mas aí tive minha primeira empresa e queria que tudo ficasse pronto nem era pra ontem, era pra semana passada. Virava noite só pra subir uma nova funcionalidade no site.

Fast food, fast fashion, fast success, fast travel, fast qualquer merda.

Eu não acho que nossa natureza seja rápida dessa maneira.

Nesse caso, a solução também não é nada simples e provavelmente vai envolver o embate com as pessoas ao redor.

Tenho testado muito isso. Ir no meu tempo. Olho menos e-mail e WhatsApp, deixo meu celular no silencioso, evito colocar despertador para acordar e venho trabalhado constantemente para que minhas expectativas de crescimento e desenvolvimento não sejam exponenciais.

Afinal, exponencial é o desenvolvimento de uma máquina e eu não sou uma.

Focar no que é importante

Se você está imerso no mercado de trabalho, estudos e/ou vida urbana, provavelmente há poucos dias que vai pra cama com a ‘lista de afazeres’ zerada.

Sempre tem um milhão de coisas pra fazer. Pagar contas, entrar em contato com clientes, fornecedores, serviços, ligar pra empresa de telefonia para reclamar da conta indevida, sair com amigos, estudar uma língua, assistir o novo filme dos Vingadores, etc. Isso porque nem falei da quantidade de coisas que os outros pedem para nós.

Querendo ou não, temos que priorizar. Mas quando eu falo sobre priorização não estou necessariamente falando de entender quais são as tarefas mais importantes e urgentes e atacá-las primeiro. Isso é importante, mas o mais interessante é pensarmos se aquilo que é importante para nós está na lista pra começo de conversa.

Pra cada um de nós o que é importante é diferente. Pra mim, passar tempo com família e amigos, aprender novas línguas, escrever, viajar, jogar videogame, conhecer novas pessoas, ajudar os outros e organizar as coisas são ações super importantes. Coisas que, quando realizadas, me energizam.

Se não as dou a devida importância, acabo gastando tempo com coisas que só me vão levar mais perto do final da vida e não ganhando tempo aproveitando a vida.

Se é a sua primeira vez aqui no blog, pode estar pensando:

“Tá, mas eu tenho que pagar as contas e tenho que trabalhar o dia todo.”

Sim. Infelizmente essa é a realidade da maior parte das pessoas hoje, por isso que eu acredito que uma vida de autonomia profissional facilita muito a priorização daquilo que é realmente importante.

Se você tem interesse em saber mais sobre isso, deixe seu e-mail em alguns dos formulários aqui do site para receber minhas dicas.

É possível sim ter a opção de escolha de como usamos o nosso tempo.

Confiança no processo de cura

Comentei acima que a confiança muitas vezes no método é mais importante do que o próprio método e gostaria de reforçar esse ponto.

A ciência está se desenvolvendo e sabemos que há muito ainda do mundo que nossas tecnologias não conseguem perceber, analisar, testar, refutar e comprovar. No entanto, nossa experiência como indivíduos nos mostra que há muito mais fatores envolvidos e que a existência é mais complexa do que aprendemos na escola.

Pensando nisso, não tenho problema em indicar que a confiança na nossa capacidade de melhorar tem efeitos muito maiores e afetam o nosso corpo. Efeitos do placebo são estudados exatamente por essa razão.

Nossa mente tem poder e capacidade de não só se transformar quanto transformar os nossos corpos. Por isso, quanto mais você tiver fé em si próprio e confiança na sua capacidade, maior a probabilidade de você deixar a ansiedade e outras doenças para trás.

Forças coletivas

Até o momento apenas comentei em como podemos aprofundar em nossas mentes, rotinas e ações para curar o estresse e a ansiedade.

No entanto, não posso deixar de mencionar que estamos influenciados pelas pessoas ao nosso redor. Na verdade, não só pelas pessoas mas também pelas mídias e informações que consumimos.

Quem está perto de nós pode nos ajudar ou nos distanciar da cura. Por isso acredito que temos que refletir bastante sobre as pessoas que estamos mantendo perto de nós.

Elas estão nos potencializando ou nos deixando para baixo? Elas estão nos dando esperança ou falando que o mundo é horrível e que não vale a pena fazer nada?

Quanto mais pessoas ao seu redor estiverem buscando viver uma vida com mais sentido e propósito sem querer seguir o padrão ansioso, mais você tem chances também de ficar tranquilo e feliz.

Ao mesmo tempo, cabe uma reflexão pessoal de que tipo de pessoa você é. Você leva mais esperança ou mais ansiedade para as pessoas ao seu redor?

Aprender a ligar o botão do foda-se

Pra finalizar, uma boa dica é aprender a falar: foda-se!

Foda-se para o que não é importante.

Foda-se para as expectativas de pessoas que não importam.

Foda-se para o que a “sociedade” espera de nós.

A sociedade está doente e muito orgulhosa para reconhecer sua frustração. Então melhor ouvir aquela voz que está dentro de nós pedindo por ajuda do que a da mídia promovendo o materialismo, a futilidade e a velocidade.

No mais…

Divirta-se!

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