O mercado de ações em IA atinge novos recordes e provoca debates sobre redução de taxas

Na tarde de 24 de dezembro de 2025, o “comércio de IA” encerrou uma sessão encurtada pelo feriado com novo fôlego – e com um conjunto de questões que os investidores não podem ignorar.

De um lado, os índices norte-americanos atingiram novos recordes durante o fechamento do pregão da véspera de Natal, em um clássico cenário de “rali do Papai Noel”, impulsionado por expectativas de cortes de taxas e um apetite renovado por grandes nomes da tecnologia e IA. Por outro lado, as principais manchetes de hoje já não se resumiam apenas a chips e modelos. A discussão vem se ampliando para fusão e aquisição, financiamento de data centers, transparência nos investimentos e a pressão regulatória sobre a distribuição dos assistentes de IA aos consumidores.

A seguir, um resumo detalhado das principais notícias, previsões e análises de mercado sobre ações de IA publicadas em 24 de dezembro de 2025 – e o que elas indicam para 2026.

Ações de IA impulsionam o mercado a novos patamares – com expectativas de cortes de taxas em foco

No final da manhã nos Estados Unidos, o S&P 500 atingiu um novo recorde intradiário, seu primeiro em mais de um mês, enquanto investidores retornavam aos setores de tecnologia e IA, apoiados pelas expectativas de novos cortes de taxas no próximo ano. O índice, que havia sofrido uma queda de até 5,7% em novembro em relação às altas de outubro, ganhou fôlego após uma perspectiva otimista divulgada pela fabricante de chips Micron.

No fechamento da sessão de baixa liquidez na véspera de Natal, tanto o Dow quanto o S&P 500 terminaram em altas recordes, com volumes de negociação significativamente menores do que o habitual – um cenário que tende a amplificar movimentos em temas tão concorridos como a IA.

O calendário também fez a diferença: os mercados encerraram cedo na véspera de Natal e permaneceram fechados no dia de Natal, com o mercado acionário encerrando às 13h ET e o de títulos às 14h ET.

O que isso significa para os investidores em IA: o rali de fim de ano está acontecendo em meio a uma mudança na forma de avaliar as empresas: não se trata apenas de exposição à IA, mas de reconhecer quais companhias conseguem monetizar a tecnologia, financiar suas infraestruturas de forma sustentável e manter suas margens mesmo com a evolução dos custos computacionais.

A manchete do dia na área de chips de IA: a aquisição da startup Groq pela Nvidia por US$ 20 bilhões

O maior impacto em uma única empresa no setor de IA no dia 24 de dezembro aconteceu no final da tarde. Segundo reportagem, a Nvidia teria concordado em adquirir a startup de chips de IA Groq por US$ 20 bilhões em dinheiro. O acordo incluiria os ativos da Groq, mas deixaria de fora o negócio de nuvem da empresa. A Groq, fundada por Jonathan Ross, é especializada em chips de alta performance focados na inferência em IA – a etapa em que os modelos treinados operam em produção, onde latência e eficiência de custos são determinantes para a adoção empresarial.

A avaliação da empresa havia mais que dobrado, alcançando US$ 6,9 bilhões após uma rodada de investimentos de US$ 750 milhões em setembro. Um preço de US$ 20 bilhões representaria a maior aquisição da Nvidia desde a compra da Mellanox.

Principais pontos de debate no mercado

  • A importância da inferência: As cargas de trabalho de IA estão mudando do “construir o maior modelo” para o “rodar o modelo em qualquer lugar”, elevando a relevância de chips, redes e softwares otimizados para atendimento.
  • Fusão e aquisição como alavanca de crescimento: A expectativa é de que a atividade de M&A continue aquecida em 2026, especialmente nos setores de IA e cibersegurança.
  • Atenção dos reguladores e dos clientes: Com a Nvidia posicionada no centro da pilha de computação de IA, qualquer grande aquisição pode levantar questões sobre controle do ecossistema e poder de precificação.

Chips e hardware: o impulso da Micron, o caso “pechincha” da Broadcom e um revés para a Intel

Micron surfa na onda da infraestrutura de IA rumo a um fechamento recorde

A IA não se resume apenas à história das GPUs. Durante a mesma sessão que registrou os recordes do índice, as ações da Micron subiram 3,8%, fechando em US$ 286,68, impulsionadas por uma perspectiva positiva anunciada na semana anterior. A empresa se destaca como uma beneficiária direta das restrições de memória – um componente crucial para escalonar cargas de trabalho de IA de maneira econômica.

Broadcom desponta como uma potencial vencedora na corrida dos chips de IA para 2026

Algumas análises indicam que as ações da Broadcom, ao lado da Nvidia e da Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC), podem ser grandes vencedoras em 2026, dada a sua exposição aos chips de IA customizados e a posição de liderança da TSMC na fabricação de GPUs e silício personalizado. Investidores veteranos destacam a Broadcom como uma escolha sólida dentro de um cenário de demanda crescente por IA.

Intel sofre com escolhas de fabricação da Nvidia

Nem todas as notícias do setor de semicondutores foram positivas. Relatos indicam que as ações da Intel sofreram após informações de que a Nvidia optou por não utilizar seu processo de fabricação – um ponto delicado, pois as ambições da Intel no segmento de foundry são fundamentais para sua narrativa de longo prazo no ciclo dos chips impulsionados pela IA.

Software empresarial de IA: os movimentos da UiPath, Salesforce e rumores sobre a aquisição da Observe pela Snowflake

UiPath valoriza ao ser incluída no S&P MidCap 400

A UiPath registrou um dos movimentos mais puros do dia: após ser anunciada sua entrada no S&P MidCap 400, as ações subiram cerca de 8% no pré-mercado. Essa inclusão tende a atrair compras forçadas de fundos e ETFs que acompanham o índice, representando um impulso mecânico na valorização da empresa.

Especialistas destacam que, após essa subida, os investidores voltarão a focar nos fundamentos, especialmente na aceleração da demanda por automação em larga escala, além de programas piloto.

Salesforce: preparada para se consolidar como uma vencedora em IA

Análises apontam que a Salesforce está bem posicionada para reverter sua narrativa, com crescimento de 330% na receita recorrente anual de sua plataforma, mesmo que saindo de uma base inicial pequena. Margens em ascensão e perspectivas de reaccelerar o crescimento podem mitigar o ceticismo em relação à sua valuation.

Rumores de M&A: a Snowflake em negociação para adquirir a Observe por cerca de US$ 1 bilhão

Além das negociações envolvendo chips, há rumores de que a Snowflake estaria em conversações para adquirir a startup Observe por aproximadamente US$ 1 bilhão – um movimento que pode ser o maior da empresa. Essa potencial aquisição reflete a corrida dos fornecedores de plataformas de dados para oferecer as ferramentas necessárias aos agentes de IA e à automação empresarial.

A narrativa de licenciamento de IA do Reddit se fortalece

Outro ponto interessante, menos destacado, é o que vem sendo levantado sobre o Reddit, que tem gerado mais de US$ 100 milhões anuais com acordos de licenciamento com empresas de IA, contribuindo tanto com o ritmo de anúncios publicitários quanto com iniciativas voltadas a produtos relacionados à IA.

Novos riscos para as ações de IA: análise do capex, dívidas fora do balanço e o “caixa-preto” da contabilidade de infraestrutura

Perspectivas para 2026 dependem dos investimentos em IA – mas os retornos precisam ser comprovados

Uma análise recente aponta que para que os retornos no mercado de ações se mantenham fortes em 2026 será crucial que haja (1) continuidade nos gastos com IA, (2) resultados corporativos robustos e (3) uma postura mais moderada do Federal Reserve. Previsões indicam crescimento dos lucros do S&P 500 acima de 15% no próximo ano, com a liderança podendo se expandir além dos tradicionais gigantes do setor.

Porém, se os investidores perderem a confiança nos retornos dos investimentos guiados em IA – ou se houver uma retração desses gastos – as expectativas otimistas poderão ser abaladas.

Outras análises reforçam esse otimismo, mas com cautela, alertando para riscos em setores de tecnologia e IA com valuations possivelmente vulneráveis a eventuais decepções no crescimento.

Gestão do endividamento: movimentação de US$ 120 bilhões de dívidas de data centers fora dos balanços

Um relatório destacou que grandes grupos de tecnologia moveram mais de US$ 120 bilhões em dívidas de data centers para fora dos balanços, utilizando veículos de propósito específico (SPVs), financiados por importantes instituições financeiras. Essa estratégia permite financiar a infraestrutura de IA mantendo indicadores de crédito mais limpos, mas pode esconder riscos caso a demanda ou os preços se deteriorem.

Desafios na contabilidade dos custos de construção de infraestrutura de IA

Outra análise alerta que os gastos com infraestrutura de IA frequentemente ficam escondidos em categorias amplas de “construção em andamento”, dificultando a visualização dos ativos de longo prazo (como prédios) em comparação aos itens que sofrem depreciação mais rápida (como chips e equipamentos especializados). Os investidores passam a exigir divulgações mais detalhadas para entender melhor os riscos de obsolescência e os cronogramas de depreciação, que variam significativamente entre ativos físicos e tecnológicos.

Regulação assume um papel crucial na distribuição dos assistentes de IA

A competição na área de IA não é apenas sobre a qualidade dos modelos, mas também sobre a distribuição – ou seja, quem garante o posicionamento padrão dentro dos aplicativos utilizados cotidianamente.

No dia 24 de dezembro, autoridades antitruste na Itália determinaram que a Meta suspendesse determinados termos de uso do WhatsApp, que seriam considerados restritivos para provedores concorrentes de chatbots de IA. A empresa criticou a decisão e afirmou que irá recorrer, enquanto a Comissão Europeia conduz uma investigação em paralelo e mantém diálogo com as autoridades italianas.

Esse episódio ressalta que, se os reguladores impuserem a abertura dos canais de distribuição dentro das plataformas dominantes de mensagens, a economia dos assistentes de IA para consumidores poderá ser transformada – influenciando também a forma como os investidores avaliam os ecossistemas baseados nesse conceito.

Previsões para as ações de IA e o que os analistas estão acompanhando

Nvidia: alvos de alta significativos continuam dominando os debates

Algumas análises apontam que os analistas elevam as metas de preço para a Nvidia, sugerindo um potencial de alta de 86% a partir dos níveis atuais, mesmo reconhecendo riscos relacionados a questões com a China e a variabilidade macroeconômica na demanda por IA.

Além disso, o mercado destaca que a Nvidia se mantém acima de níveis técnicos importantes, embora haja incerteza quanto às rotas de venda dos chips de IA no contexto das políticas de exportação.

Broadcom e TSMC: favoritos para 2026 no cenário “ferramentas e implementos”

Algumas publicações reforçam que, graças à demanda por chips customizados e à dominância na fabricação de semicondutores, a Broadcom e a TSMC devem ser grandes beneficiárias se os investimentos em IA se mantiverem fortes no próximo ano.

Conclusão

O mais importante do rali de hoje não é apenas que o otimismo pelas ações de IA persiste – mas que o mercado começa a precificar de maneira diferenciada a história da IA:

  • M&A e estratégias de plataforma ganham destaque (como no caso Nvidia – Groq e Snowflake – Observe).
  • Os “vencedores da IA” se expandem além das GPUs, envolvendo memória, automação empresarial, CRM e plataformas de dados.
  • Estrutura financeira e transparência passam a ser tão importantes quanto novos lançamentos de produtos, conforme evidenciado pelos debates sobre dívidas fora do balanço e a contabilidade dos investimentos em infraestrutura.
  • A regulação também se estende à distribuição dos assistentes de IA, influenciando a economia dos ecossistemas digitais.

Ao olhar para 2026, a questão central não será apenas “Quem possui IA?”, mas sim “Quem consegue comprovar de forma clara os retornos dos investimentos em IA?”