A Visita de Estado de Trump se Transforma em um Festival de IA
Durante anos, a relação entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita girou em torno do petróleo e da defesa. No entanto, a recente visita do presidente Donald Trump a Riade sinaliza uma mudança de direção: o foco agora se volta para a tecnologia e investimentos na área de inteligência artificial (IA). A viagem contou com escolta aérea de caças F-16 sauditas e uma cerimônia na suntuosa Corte Real, reunindo nomes de peso do universo da IA, como o CEO da Nvidia, Jensen Huang, o CEO da OpenAI, Sam Altman, o CEO da Tesla, Elon Musk, e executivos líderes de empresas como Amazon, Google, Uber e Palantir.

Ao longo da visita, o anúncio de acordos tecnológicos de grande envergadura tomou conta do cenário. A recém-criada subsidiária Humain, oriunda do fundo soberano do Reino, firmou parceria com a gigante de chips Nvidia para construir fábricas de IA na Arábia Saudita, utilizando centenas de milhares das GPUs mais avançadas da empresa nos próximos cinco anos. Além disso, foram anunciadas colaborações bilionárias: um investimento de US$ 5 bilhões com a Amazon, uma parceria de US$ 10 bilhões com a AMD, bem como novos escritórios e iniciativas envolvendo Scale AI, Qualcomm, Google e chipmaker californiano Groq.
A enxurrada de acordos tecnológicos quase ofuscou outros marcos importantes da viagem, como a revogação parcial de sanções à Síria, uma tentativa de aproximação com o Irã e uma enorme venda de armas no valor de US$ 142 bilhões. Especialistas veem nessa nova delegação um sinal da evolução nos laços entre Washington e o Golfo. Mohammed Soliman, do Middle East Institute, afirmou que a relação entre os EUA e os países do Golfo não se resume mais a energia para segurança – agora ela envolve, também, avançadas capacidades computacionais.
Enquanto a IA desponta como prioridade na agenda de Trump, a tecnologia ganha uma nova reputação: de possível ameaça a um poderoso instrumento de geração de acordos. A administração Trump está adotando uma postura mais aberta em relação à exportação de chips de IA, transformando-os em parte de uma ampla conversa sobre comércio e investimentos, com a perspectiva de novos acordos bilaterais com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Essa flexibilização contrasta com a abordagem anterior, que via os chips de IA primariamente como um risco de segurança.
Analistas ressaltam que os interesses estratégicos estão cada vez mais vinculados à capacidade de vender infraestrutura de IA no mercado internacional. Caso os Estados Unidos não se posicionem de forma agressiva, há o risco de a China preencher essa lacuna, assim como já aconteceu no setor de equipamentos de telecomunicações.
Alterações na Lei de IA na União Europeia
O Ato de IA da União Europeia, que tem pouco mais de um ano, já pode passar por mudanças significativas. Killian Gross, chefe da unidade de políticas de IA da Comissão Europeia, comentou em um encontro em Bruxelas que a simplificação dos processos de implementação pode ser o primeiro passo para ajustes mais direcionados. Além disso, o bloco está prestes a divulgar um código de prática voluntário para as maiores empresas de IA, um movimento que faz parte de uma revisão mais ampla das regulamentações globais com o objetivo de impulsionar a competitividade internacional.
Fusão Cripto Relacionada aos Trump
Uma empresa de mineração de Bitcoin, ligada aos filhos do presidente Trump, anunciou uma fusão que prepara o terreno para sua abertura de capital. A American Bitcoin, que conta com Eric Trump como cofundador e diretor de estratégia, unirá forças com a Gryphon Digital Mining. A proposta é se tornar uma referência no ecossistema do Bitcoin, aproveitando o acesso a energia de baixo custo para estabelecer uma vantagem operacional decisiva. Especialistas apontam que essa fusão reforça a sinergia crescente entre energia e tecnologia, ainda que levante questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo a família Trump.
O Futuro em 5 Links
- O poder de negociação da administração Trump com chips de IA torna-se uma nova ferramenta diplomática.
- A Apple e uma startup iniciam colaboração para desenvolver interfaces cérebro-computador.
- Hackers podem furtar criptomoedas ao implantar “memórias” falsas em chatbots.
- Uma startup ligada à administração Trump enfrenta investigação no Congresso por conta de um contrato.
- Um executivo da UBS afirma que investidores estão diversificando do dólar para o ouro e para as criptomoedas.