Tesla aumenta despesas de capital para US$25 bilhões
O CEO da Tesla, Elon Musk, iniciou a teleconferência do primeiro trimestre com um alerta financeiro — ou, dependendo da perspectiva do investidor, uma advertência. As despesas de capital da empresa devem disparar para US$25 bilhões em 2026, ultrapassando em muito os gastos anuais anteriores, enquanto a Tesla se prepara para se posicionar à frente da concorrência e se transformar em uma companhia de inteligência artificial (IA) e robótica.
Esse valor, destinado a investimentos em ativos físicos além das despesas operacionais diárias, é três vezes maior que o orçamento anual de capex dos anos anteriores. Para comparação, as despesas de capital foram de US$8,5 bilhões em 2025, US$11,3 bilhões em 2024 e US$8,9 bilhões em 2023.
Em janeiro, a Tesla já havia anunciado expectativa de que seus investimentos superassem US$20 bilhões em 2026, aumento importante para financiar suas iniciativas em IA — como investimentos em infraestrutura de computação, centros de dados, expansão e ampliação das linhas de produção e pesquisa e desenvolvimento (P&D), entre outros.
Esse acréscimo de US$5 bilhões indica que tais iniciativas demandarão mais recursos do que o inicialmente previsto. Ainda assim, o capex trimestral, avaliado em US$2,5 bilhões, manteve-se alinhado com os trimestres anteriores, conforme apontado no relatório.
Musk vê esse movimento como algo positivo, sentimento que deve ser compartilhado pelos acionistas, pois posiciona a Tesla como uma empresa que investe fortemente em seu futuro, com foco em IA e robótica.
“Em 2026, vamos aumentar substancialmente nossos investimentos no futuro. Portanto, espere ver um aumento muito expressivo nas despesas de capital, mas acredito que esse investimento seja plenamente justificado para gerar uma receita futura substancial.”
A Tesla não é a única a elevar seu orçamento para despesas de capital. A Amazon, por exemplo, projetou US$200 bilhões para 2026, investindo em áreas como IA, chips, robótica e satélites de baixa órbita terrestre. O Google, por sua vez, deve destinar entre US$175 bilhões e US$185 bilhões para capex em 2026, bem acima dos US$91,4 bilhões investidos no ano anterior.
O aumento do capex está diretamente ligado à ambição de Musk de transformar a empresa além da construção e venda de veículos elétricos, energia solar e soluções de armazenamento de energia. Parte dos recursos será direcionada aos pilares da tecnologia da Tesla, como suas baterias e softwares de IA.
A companhia planeja investir em treinamento de IA, design de chips e em “preparar o terreno” para ampliar a produção manufatureira, além de direcionar recursos às operações de robotaxi e à nova fábrica de pesquisa de semicondutores em Austin.
A fábrica em Fremont, Califórnia, deverá absorver parte desse capital, visto que a produção dos modelos Tesla Model S e Model X será encerrada para dar lugar à fabricação em escala do robô humanóide Optimus. A empresa informou que já foi preparado um terreno próximo à fábrica de Austin para instalação de uma instalação dedicada à produção do Optimus.
A Tesla pretende aumentar a produção interna do Optimus para testes e, “provavelmente”, torná-lo funcional para uso fora da empresa já no próximo ano.
Além disso, a companhia está investindo no fortalecimento de toda a sua cadeia de suprimentos, abrangendo baterias, energia e silício para IA.
Embora todo esse investimento, que o CFO Vaibhav Taneja afirma se estender pelos próximos anos, gere custos significativos — a empresa, que obteve um breve aumento de 4% no valor de suas ações impulsionado parcialmente por um fluxo de caixa livre inesperado de US$1,4 bilhão, deve entrar em território negativo ainda este ano — a estratégia é vista como fundamental para posicionar a Tesla para a próxima era.
Ao final do primeiro trimestre, a Tesla contava com US$44,7 bilhões em caixa, equivalentes e investimentos de curto prazo, evidenciando que a empresa ainda mantém uma robusta reserva financeira para investir em seu futuro.
“Embora possamos enfrentar um fluxo de caixa livre negativo pelo restante do ano, acreditamos que essa é a estratégia correta para posicionar a empresa para a próxima era.”
