Reliance vai a fundo em IA, com ajuda do Google e Meta

A Reliance está apostando pesado na inteligência artificial após anunciar a criação de uma nova subsidiária, a Reliance Intelligence, para construir data centers verdes em escala de gigawatt e fornecer infraestrutura de IA de grande porte, tornando os serviços de IA acessíveis em todo o país.

A Índia tem se tornado um campo de batalha importante para as empresas de IA. Recentemente, vimos a Perplexity fazer parceria com a operadora Airtel e, apenas na semana passada, a OpenAI anunciou um novo produto projetado especificamente para o mercado indiano, além de planos para abrir um escritório no país. Assim como aconteceu com o e-commerce e as entregas, a Reliance demonstra interesse em se integrar à próxima grande tendência, que é a inteligência artificial.

“Há uma década, os serviços digitais se tornaram um novo motor de crescimento para nós. Agora, a oportunidade que a IA nos oferece é tão grande, se não maior”, afirmou o presidente Mukesh Ambani em seu evento de lançamento.

Em sua maneira característica, a Reliance chamou dois dos maiores nomes da tecnologia para colaborar: Google e Meta, ambos importantes parceiros em seus empreendimentos digitais anteriores.

A Reliance e o Google se unem para construir uma infraestrutura de nuvem dedicada à IA na Índia, começando com um data center em Jamnagar,, na região ocidental de Gujarat, com o objetivo de oferecer serviços centrados em IA para órgãos governamentais, empresas e desenvolvedores que utilizam a rede e os ativos energéticos da Jio.

Enquanto isso, Meta e Reliance lançaram uma joint venture para oferecer a plataforma empresarial de IA baseada no Llama da Meta como serviço, com um investimento conjunto de aproximadamente US$ 100 milhões, onde a Reliance detém 70% das ações.

Em um movimento ainda mais inusitado, Ambani até insinuou o lançamento de óculos de IA desenvolvidos pela própria Reliance.

Batalha nas entregas e investimentos em IA dominam os resultados das grandes empresas de tecnologia na China

Os resultados financeiros de uma importante semana na China mostraram que a disputa no setor de entregas e os investimentos em IA têm sido os destaques:

  • A PDD, controladora da Temu, registrou um crescimento de 7% na receita, superando as estimativas, embora suas margens tenham sido pressionadas pelos elevados gastos para combater a concorrência.
  • A Meituan viu seu lucro líquido do segundo trimestre despencar 97% em relação ao ano anterior, devido a uma guerra agressiva de preços no setor de entrega de alimentos, o que deteriorou significativamente as margens e provocou queda acentuada em suas ações.
  • A Didi apresentou um crescimento de 11% na receita, impulsionado pelo mercado internacional, mas registrou um prejuízo líquido de US$ 350 milhões, decorrente do aumento nos gastos com marketing e de uma provisão extraordinária associada a uma ação judicial de um acionista.
  • A Alibaba registrou um desempenho robusto nas vendas de serviços em nuvem e soluções impulsionadas pela IA, embora os lucros tenham sido prejudicados pela acirrada concorrência com Meituan e JD.com.
  • O Ant Group teve seu lucro trimestral cair 60%, devido à intensificação de sua expansão internacional e aos investimentos em IA, contribuindo com US$ 216 milhões para a Alibaba, que detém um terço da empresa.
  • A Huawei reverteu um prejuízo registrando um lucro de US$ 5,2 bilhões no primeiro semestre, impulsionada pelo aumento da demanda pelos seus chips Ascend, fruto do avanço da IA na China.

China

A busca pela autossuficiência tecnológica na China começa a apresentar resultados. A dependência de tecnologia dos EUA provou ser arriscada, conforme demonstrado pelas recentes tarifas, e os sinais de que o esforço está dando frutos se tornaram evidentes.

A DeepSeek, que representa uma parte significativa da ambição da China na área de IA, iniciou o treinamento de alguns de seus modelos com chips da Huawei, marcando um passo relevante para reduzir a dependência dos chips estadunidenses. Essa mudança é vital para a DeepSeek, já que garantir um suprimento confiável de chips, fora do hardware baseado nos EUA, é fundamental. Para Pequim, esse movimento evidencia o atendimento ao chamado para adotar tecnologia local.

A Baidu intensificou esse impulso ao revelar uma plataforma de computação para IA construída inteiramente com chips chineses. Os processadores da sua divisão Kunlunxin alimentam o novo sistema Baige 5.0, que, segundo a empresa, aumenta a eficiência do modelo de raciocínio R1 da DeepSeek em cerca de 50%.

Para não ficar para trás, a Alibaba está em fase de desenvolvimento de um chip de IA mais versátil, com o objetivo de substituir as ofertas de empresas como Nvidia e AMD.

Esses movimentos indicam que os intensos investimentos internos na área estão começando a gerar resultados. Fabricantes de chips domésticos planejam triplicar a produção de processadores de IA no próximo ano, com a Huawei figurando entre os maiores beneficiados.

Além disso, outras empresas, como a Cambricon Technologies, transformaram dificuldades em oportunidades, passando de prejuízo no ano anterior para um lucro recorde de 1,03 bilhão de CNY (aproximadamente US$ 145 milhões) no primeiro semestre de 2025, com suas ações disparando mais de cinco vezes nesse período, à medida que os investidores apostam que ela poderá se tornar a próxima campeã da IA na China, acompanhando o crescimento da DeepSeek.

No lado da demanda, Pequim lançou uma plataforma nacional de computação que conecta 10 províncias para compartilhar recursos subutilizados. Essa iniciativa faz parte de um plano mais amplo para transformar a IA em um motor de crescimento econômico, com potencial para adicionar trilhões de yuans à economia até 2035. Mais de 100 prestadores de serviços, 1.000 clientes empresariais e 100 modelos de IA já aderiram ao projeto.

Índia

O mercado indiano tem passado por mudanças significativas. Recentemente, foi proibido o jogo com dinheiro real em plataformas de jogos de fantasia, o que levanta temores de que os usuários migrem para plataformas offshore ou operadoras ilícitas – as quais, segundo fontes, movimentam cerca de US$ 100 bilhões anuais, em comparação aos US$ 5 bilhões dos operadores legais.

Em resposta, a empresa de jogos A23 apresentou o primeiro desafio ao veto do governo sobre jogos online baseados em dinheiro, conforme demonstrado em processos judiciais.

A Krafton, estúdio sul-coreano por trás de PUBG: Battlegrounds, tem intensificado sua atuação na Índia, com planos para investir pelo menos US$ 50 milhões por ano e buscar aquisições no país. Além disso, a Elevation Capital lançou um fundo de US$ 400 milhões para apoiar startups que estão se preparando para abrir o capital.

A Prosus está em conversações para investir cerca de US$ 200 milhões na startup de transporte Rapido, avaliando-a entre US$ 2,5 e US$ 2,7 bilhões, o que elevaria a participação da empresa de capital de risco para 3–4% e dobraria a avaliação da startup desde dezembro de 2024.

A fintech Kiwi, responsável pela emissão dos cartões de crédito RuPay, levantou US$ 24 milhões e planeja lançar linhas de crédito através da rede UPI, parte de uma estratégia mais ampla para ampliar o acesso ao crédito. Startups indianas também estão competindo com gigantes como Amazon e Walmart pelo domínio do mercado emergente do comércio instantâneo, estimado para atingir US$ 100 bilhões.

Além disso, o país enfrenta desafios ambientais e sociais com sua indústria informal de reciclagem de e-lixo, que lucra com o descarte de resíduos eletrônicos globais, mas impõe pesados custos humanos e ambientais.

Em outra frente, a plataforma de vendas e e-commerce movida por IA, WizCommerce, conseguiu levantar US$ 8 milhões, enquanto a OYO se prepara para abrir capital com um DRHP (Draft Red Herring Prospectus) previsto para novembro, mirando uma avaliação entre US$ 7 e US$ 8 bilhões. A startup de planejamento da cadeia de suprimentos Enmovil levantou US$ 6 milhões, e a TransBnk, focada em infraestrutura bancária, angariou US$ 25 milhões.

Por fim, Japão e Índia se unem em esforços para transferir a produção das tecnologias mais antigas de semicondutores e LCD para a Índia, numa tentativa conjunta de diminuir a dependência da China e reforçar os laços de segurança econômica.

Um tribunal anticorrupção na Índia condenou 14 pessoas – incluindo 11 policiais, um ex-chefe de polícia distrital e um ex-legislador – à prisão perpétua por um sequestro ocorrido em 2018, que visava um homem por suas posses em criptomoedas.

Sudeste Asiático

A Sea, controladora da Shopee, ultrapassou o DBS para se tornar a empresa mais valiosa do Sudeste Asiático, com suas ações subindo mais de 300% neste ano.

Além da Shopee, a divisão de jogos da Sea também mostrou forte crescimento, com o jogo Free Fire liderando como o título móvel de batalhas mais lucrativo nos Estados Unidos.

No setor de transporte urbano, embora a Grab domine o mercado, a Vingroup – fundada pelo homem mais rico do Vietnã – está impulsionando seu concorrente no segmento de veículos elétricos, o GSM (Green & Smart Mobility), para ampliar sua presença no Sudeste Asiático e fortalecer a marca global de carros elétricos VinFast.

No âmbito dos investimentos, Ripple e Circle participaram de uma rodada de financiamento para a plataforma de pagamentos transfronteiriços Tazapay. Em outra frente, o Google informou que um grupo de hackers com ligações à China direcionou ataques cibernéticos a diplomatas do Sudeste Asiático, utilizando atualizações de software fraudulentas para instalar malware e acessar arquivos sensíveis.

Na Indonésia, a plataforma de empregos Pintarnya, que integra correspondência de vagas com serviços financeiros e oportunidades de trabalho temporário, conseguiu levantar US$ 16,7 milhões. Nas Filipinas, há propostas para criar uma reserva estratégica de 10.000 bitcoins com bloqueio de 20 anos – avaliados em cerca de US$ 1 bilhão com base nos preços atuais – cuja compra seria realizada ao longo de cinco anos, além de projetos para colocar o orçamento governamental em blockchain.

A Malásia deu um passo importante ao lançar seu primeiro chip de IA desenvolvido localmente, o MARS1000, pela startup SkyeChip, que alimenta dispositivos como carros e robôs, marcando um movimento rumo ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas avançadas, mesmo que ainda aquém dos chips mais robustos usados em data centers pela Nvidia.

Enquanto isso, a Tokopedia sofreu uma nova rodada de demissões, com 420 empregados desligados, e a Indonésia convocou representantes de plataformas de mídia social para intensificar ações contra conteúdos prejudiciais, resultando na suspensão temporária da funcionalidade de transmissão ao vivo do TikTok em meio a protestos.

Adicionalmente, a SeaTown, unidade da gestão de ativos da Temasek, obteve mais de US$ 612 milhões na primeira captação do seu terceiro fundo de crédito privado.

Coreia do Sul

Na Coreia do Sul, um suposto hacker chinês foi preso com suspeitas de ter atacado o cantor do BTS e outras celebridades. O país também aprovou uma lei que proíbe o uso de smartphones durante as aulas no ensino fundamental e médio, a partir da próxima primavera.

A operadora SK Telecom foi multada em US$ 97 milhões após um ciberataque que resultou no vazamento de dados pessoais de seus clientes, afetando aproximadamente metade da população sul-coreana.

Além disso, promotores buscaram uma pena de 15 anos de prisão para o fundador do Kakao, Kim Beom-su, sob acusações de manipulação de ações relacionadas à batalha pelo controle da agência de K-pop SM Entertainment ocorrida em 2023.

Japão

Masayoshi Son, da SoftBank, destacou-se como o investidor estrangeiro preferido de Donald Trump, obtendo apoio para grandes apostas na OpenAI e na Intel, após cultivar cuidadosamente relações com o presidente dos EUA.

A SoftBank tem se beneficiado do recente rally tecnológico com seus investimentos, embora essa crescente exposição à IA seja motivo de preocupação para alguns investidores.

Além disso, os jornais Nikkei e Asahi Shimbun entraram com ação judicial contra a Perplexity AI, acusando-a de violar direitos autorais ao reproduzir conteúdos sem autorização, contornar proteções e inserir erros que prejudicam suas reputações.

Em outra movimentação, um renomado salão de beleza japonês, a Fastnail, é a mais recente empresa a tentar se reinventar ao investir em Bitcoin.

Taiwan

A TSMC está retirando de suas fábricas de chips de 2nm mais avançadas os equipamentos de origem chinesa, com o intuito de evitar eventuais restrições dos EUA que possam comprometer a produção.

Em uma ação legal, promotores de Taiwan acusaram três pessoas, incluindo um ex-funcionário da TSMC, de roubo de segredos industriais para beneficiar a Tokyo Electron.

Resto da Ásia

Em Tóquio, governos e empresas de tecnologia se reuniram para discutir estratégias de defesa contra o esquema da Coreia do Norte de alocar trabalhadores de TI em funções estratégicas.

Além disso, os Estados Unidos sancionaram um cidadão russo e uma empresa chinesa por supostamente ajudarem a desviar recursos de companhias visadas pelo mesmo esquema.