Elon Musk se gabou no início deste ano por ter mandado o USAID para uma “trituradora de madeira”, e agora os impactos desses cortes drásticos podem gerar um rastro de vítimas. Um estudo recente sugere que os recortes no financiamento do USAID podem levar a milhões de mortes evitáveis no mundo todo durante os próximos cinco anos.

Uma equipe internacional de pesquisadores conduziu o estudo, publicado na renomada revista Lancet, e constatou que o financiamento do USAID a países em desenvolvimento já salvou dezenas de milhões de vidas desde 2001. Entretanto, os cortes impostos por Musk e seu Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) podem resultar em 14 milhões de mortes preventivas, incluindo muitas crianças com menos de 5 anos.

“Nossas estimativas mostram que, se os cortes abruptos anunciados e aplicados na primeira metade de 2025 não forem revertidos, um número assustador de mortes evitáveis poderá ocorrer até 2030”, afirmaram os pesquisadores.

A administração Trump, renovada recentemente, tem desmontado diversas agências governamentais críticas desde janeiro – incluindo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) – mas nenhum corte tem sido tão devastador quanto os sofridos pelo USAID, responsável pela distribuição da ajuda externa dos Estados Unidos.

Apesar de críticas e alegações de fraudes durante a ocupação do Afeganistão, o USAID tem se mostrado um agente positivo na saúde pública global. Seus recursos fortaleceram programas de vacinação, distribuição de mosquiteiros anti-malária e outros suprimentos médicos vitais em diversas partes do mundo. Um exemplo notório é o Plano de Emergência do Presidente para o Alívio da AIDS (PEPFAR), que, segundo estimativas, evitou que mais de 5 milhões de crianças nascessem com HIV.

O estudo revisitou o impacto salvador do financiamento do USAID, analisando dados de mais de 130 países, e estimou que entre 2001 e 2021 foram salvas cerca de 91 milhões de vidas – com os maiores ganhos na redução de mortes relacionadas ao HIV/AIDS, malária e doenças tropicais negligenciadas. Além disso, os cortes mandatados pelo DOGE devem resultar em 14 milhões de mortes evitáveis até 2030, dentre as quais 4,5 milhões correspondem a crianças menores de 5 anos.

Embora Musk não integre mais oficialmente o círculo interno do presidente Donald Trump – sua designação como funcionário especial do governo expirou no final de maio – o desgaste verbal entre ele e Trump persiste. Após um breve cessar-fogo, ambos continuam trocando farpas, especialmente sobre o polêmico Big Beautiful Bill, que também poderá levar a mais mortes evitáveis devido a cortes no Medicaid. Relatos recentes de organizações de ajuda indicam que pessoas já estão morrendo como consequência da falta de recursos.

A menos que ocorram mudanças drásticas, o legado de Musk poderá ficar marcado pelo custo humano entre os mais pobres e vulneráveis.