TL;DR: A Apple lançou o iOS 27 em 14 de setembro de 2026 com a Siri AI, uma versão totalmente reconstruída do assistente, rodando sobre o Apple Foundation Model, um modelo próprio treinado com tecnologia Gemini do Google. Na prática, a Siri passa a manter contexto entre perguntas, buscar dados em Mail, Messages e Photos e executar ações dentro de apps, mas o recurso não chega à União Europeia no lançamento e a versão mais poderosa fica restrita a aparelhos mais recentes. Quem tem iPhone 15 Pro ou mais novo recebe a Siri AI completa hoje; quem tem um iPhone mais antigo compatível com Apple Intelligence fica com uma versão básica.

O que aconteceu

Em 14 de setembro de 2026, a Apple liberou o iOS 27 ao público, junto com os novos iPhone 18 Pro, iPhone 18 Pro Max e iPhone Duo (CNBC; Engadget). O sistema tinha sido anunciado na WWDC, em 8 de junho de 2026, mas a peça central do lançamento só chegou agora: uma Siri reconstruída do zero, batizada de Siri AI.

Principais mudanças confirmadas:

A disponibilidade varia por aparelho. O novo assistente funciona a partir do iPhone 15 Pro (2023) em diante, mas o modelo mais potente fica reservado ao iPhone 15 Pro e a modelos mais novos; iPhones mais antigos mas já compatíveis com Apple Intelligence recebem uma versão básica da Siri AI. Na União Europeia, o recurso simplesmente não estará disponível no lançamento, nem no iPhone nem no iPad, por causa de restrições regulatórias ligadas ao Digital Markets Act (CNBC).

Por que isso importa

O iOS 27 importa porque marca o momento em que a Apple admitiu, na prática, que não conseguia construir sozinha a IA que prometeu em 2024. Colocar um modelo do Google no centro do sistema do iPhone é uma mudança de postura estratégica, com peso maior do que o de um lançamento de produto comum.

A Apple vinha de uma sequência de atrasos e recuos na estratégia de Apple Intelligence, que criou a expectativa de uma Siri mais inteligente sem entregar o resultado no ritmo prometido. Foi nesse cenário que, em abril de 2026, Tim Cook passou o cargo de CEO para John Ternus, até então chefe de engenharia de hardware da empresa, e assumiu a função de presidente executivo (executive chairman). Ternus se tornou o terceiro CEO da Apple desde 1997 (Apple Newsroom).

Depender do Gemini para viabilizar a nova Siri é diferente de uma atualização de rotina. É a Apple, historicamente fechada em seu próprio ecossistema de software, reconhecendo que o caminho mais rápido para um assistente competitivo passa por tecnologia de um concorrente direto em outras frentes, como buscas e nuvem.

A Apple não abriu mão do controle do produto: o modelo que roda no iPhone é o Apple Foundation Model, batizado e operado pela própria empresa, só que treinado com tecnologia Gemini. É uma diferença que importa para quem acompanha a corrida de IA de perto, mas que passa despercebida na cobertura mais rasa do lançamento.

Antes do iOS 27 Depois do iOS 27
Siri respondia comando a comando, sem memória entre perguntas Siri AI mantém contexto ao longo de uma conversa
Assistente da Apple dependia só de modelos próprios (Apple Intelligence) Apple Foundation Model é treinado com tecnologia Gemini, do Google
Siri não cruzava Mail, Messages e Photos para montar respostas Siri AI busca nesses apps para trazer contexto pessoal
Disponível igualmente em qualquer região com Apple Intelligence Bloqueada na União Europeia no lançamento, por causa do DMA

O que isso significa para quem usa iPhone

Para quem tem iPhone, o impacto imediato depende de qual aparelho você tem e de onde mora, não é uma mudança uniforme para todo mundo.

O modelo do seu iPhone define a experiência

Quem tem iPhone 15 Pro ou mais novo ganha a Siri AI completa a partir de agora. Quem tem um iPhone mais antigo, mas compatível com Apple Intelligence, recebe uma versão básica do assistente, sem o mesmo nível de raciocínio nem de busca cruzada entre apps. Vale conferir qual categoria seu aparelho ocupa antes de esperar recursos que talvez não cheguem à sua versão do iPhone.

Quem está na União Europeia fica de fora por enquanto

A Siri AI não estará disponível no iPhone nem no iPad na União Europeia no lançamento, por causa de restrições regulatórias ligadas ao DMA, e não há prazo confirmado para a liberação na região.

A parceria com o Google muda o equilíbrio do mercado de assistentes

O assistente padrão do iPhone agora roda sobre tecnologia Gemini, o que reposiciona o Google como fornecedor de infraestrutura de IA para o maior concorrente direto de hardware que ele tem. Isso pressiona a OpenAI e outros fornecedores de modelos a disputar o próximo grande contrato de plataforma, porque a Apple acabou de mostrar que está disposta a comprar tecnologia de fora quando o desenvolvimento interno não acompanha o ritmo do mercado.

O que fazer agora

Em ordem de urgência:

  1. Hoje: confira se seu iPhone é modelo 15 Pro ou mais novo antes de esperar a versão completa da Siri AI; aparelhos mais antigos compatíveis com Apple Intelligence recebem uma versão limitada.
  2. Nesta semana: atualize para o iOS 27 pelo caminho normal (Ajustes > Geral > Atualização de Software) e teste a Siri AI em tarefas cotidianas, como buscar uma informação em uma conversa antiga do Messages.
  3. Neste mês: se você mora na União Europeia, não espere o recurso aparecer no seu aparelho no curto prazo; a Apple não anunciou data de liberação para a região.
  4. Se você desenvolve para iOS ou depende da Siri em fluxos de trabalho: reavalie integrações que dependiam do comportamento antigo do assistente, já que a Siri AI executa ações dentro de apps de forma diferente da versão anterior.

Não faça:

Panorama geral

O iOS 27 faz parte de uma disputa maior por quem vai controlar o assistente pessoal de IA no bolso do usuário. Google, OpenAI (que avança em paralelo com uma API própria de agentes de IA) e a própria Apple competem por esse espaço, e a escolha da Apple de usar tecnologia Gemini como base do Apple Foundation Model muda essa disputa: em vez de tirar o Google do jogo em dispositivos móveis, o avanço da Apple Intelligence acabou dependendo dele.

A troca de CEO em abril de 2026, com John Ternus substituindo Tim Cook no comando operacional, também sinaliza que a Apple está disposta a mudar sua forma de tomar decisões estratégicas em IA, depois de um período marcado por atrasos. Isso acontece enquanto outros nomes do setor, como a Anthropic de Dario Amodei, discutem publicamente o ritmo dessa corrida em outros contextos (veja aqui). Vale acompanhar se a parceria com o Google se aprofunda em outras áreas do ecossistema Apple, ou se fica restrita à Siri.

Perguntas frequentes

A Siri AI vai funcionar no meu iPhone?

Depende do modelo. A Siri AI funciona a partir do iPhone 15 Pro (2023) em diante, mas o modelo mais avançado é reservado ao iPhone 15 Pro e a aparelhos mais novos. iPhones mais antigos, mas compatíveis com Apple Intelligence, rodam uma versão básica do assistente.

Por que a Siri AI não está disponível na União Europeia?

A Apple não liberou o recurso no iPhone nem no iPad na região no lançamento, por causa de restrições regulatórias ligadas ao Digital Markets Act (DMA). Não há data confirmada para a liberação na UE.

A Siri AI é feita pelo Google?

Não exatamente. Ela roda sobre o Apple Foundation Model, um modelo desenvolvido e operado pela Apple, mas treinado com tecnologia Gemini, do Google, dentro de uma parceria entre as duas empresas para viabilizar o novo assistente.

Referências e notas de apuração